A cada dez dias, um poste é derrubado pelos veículos que transitam pelas ruas de Franca. Somente na última segunda-feira, foram duas batidas. Ao longo do ano passado, a CPFL Paulista atendeu a 36 ocorrências do tipo. Levando-se em conta apenas o dinheiro usado no reparo, os gastos foram superiores a R$ 100 mil. O prejuízo não para por aí. Bairros sem energia elétrica, ferimentos graves e mortes fazem parte do saldo deixado pelos acidentes. Para a polícia, a imprudência dos condutores é a causa principal dos estragos.
Os dados da CPFL mostram que as batidas em postes estão crescendo. Em 2010, foram 31 casos. No ano passado, o número subiu para 36. Nas duas primeiras semanas de janeiro, já foram oito colisões. “Os transtornos são muito grandes. Todos os postes tiverem de ser substituídos. O custo para fazer os devidos reparos gira na casa de R$ 2 mil a R$ 5 mil”, contou Ocimar Benzati, gerente de serviços de rede da empresa. Dependendo das avarias, o conserto pode levar de três a oito horas.
A CPFL Paulista não arca sozinha com o prejuízo. Quando o causador do acidente é identificado, ele é acionado na Justiça para reparar os danos causados. A questão financeira pesa no bolso, mas não é a mais significativa. Num período de apenas 14 meses, compreendido entre fevereiro de 2010 e abril de 2011, cinco pessoas morreram em Franca após os veículos que ocupavam baterem contra postes de iluminação pública, a maioria de concreto.
Em três ocorrências, as vítimas dirigiam ou eram passageiras de carros. Nas outras duas, as motos foram as vilãs. No caso mais recente, ocorrido em abril passado, o mecânico Francisco Alves da Silva Filho, 25, morreu depois de perder o controle do seu Fusca e bater em um poste na avenida Emílio Paludetto, Vila Real. Pelo menos outras dez pessoas sofreram ferimentos graves e tiveram a vida mudada por causa dos acidentes.
O comandante da Companhia de Força Tática da Polícia Militar, que engloba o Pelotão de Trânsito, capitão Marcos Alexandre Moraes de Araújo, tem pronta a resposta para explicar o elevado número de batidas de moto e carros em postes. “A explicação que temos é simples: o grande problema é a imprudência. Os condutores abusam e exageram muito na velocidade. O número de acidentes é alto e chama a atenção.”
Para o oficial, também é comum os policiais que atuam na fiscalização se depararem com vítimas que não utilizavam os equipamentos obrigatórios de segurança. “O hábito de não usar o cinto de segurança ou de não afixar corretamente o capacete contribui para que as vítimas se machuquem com maior gravidade.”