08 de julho de 2026

‘Vocação!


| Tempo de leitura: 4 min

Ainda em clima de passagem do Natal para o tempo comum, encontramos com Jesus, apontado por João Batista como o Cordeiro de Deus.

Diante do anúncio do Batista, dois dos seus discípulos encontraram a pessoa de Jesus e sua proposta, foram ver onde ele morava e permaneceram com ele. Quem se encontra com Jesus tem necessidade de apresentá-lo outras pessoas. Não é possível guardá-lo para si. Assim agiu André, anunciando a Simão Pedro o entusiasmo que possuía depois de conhecer Jesus e Simão Pedro aderiu imediatamente.

PRIMEIRA LEITURA
A primeira leitura nos apresenta Samuel ainda menino, vivendo tranquilamente no templo do Senhor em Silo, a serviço do sacerdote Eli. Certa noite ouve alguém chamando-o: não sabe, porém, de onde provém a voz e, então, se dirige a Eli. Esse percebe que se trata de uma mensagem do céu e orienta o jovem sobre a disposição espiritual que deve assumir. Após ter recebido a mensagem de Deus, “Samuel foi investido de autoridade, porque o Senhor estava com ele” e tudo o que ele falava era seguido à risca.
Uma surpreendente observação: “Samuel ainda não conhecia o Senhor; a palavra do Senhor não lhe tinha sido ainda revelada”.
Essa experiência, pela qual todos nós passamos, deve despertar nossa atenção. A voz de Deus se faz ouvir durante a noite, quando tudo está em silêncio, quando não há gritaria que a possa abafar, confundir ou tornar incompreensível.
Se não nos esforçarmos para criar momentos de silêncio e de reflexão na nossa vida, não conseguiremos interiorizar a palavra de Deus e outras vozes nos atingirão. Quando Deus se dirige ás pessoas, chama-as sempre pelo nome.
Não há para ele massas anônimas, cada ser humano é importante, cada pessoa possui um valor incomensurável e um grandioso projeto a executar.
Quem é chamado não reconhece facilmente a voz de Deus mas Ele não desanima diante da nossa surdez. Insiste até conseguir que o escutemos.
Samuel não consegue identificar a voz de Deus sozinho: há um homem, o sacerdote Eli, que o ajuda. Nós também, se quisermos entender o que Deus tem para nos dizer, devemos recorrer aos irmãos, especialmente àqueles que, na nossa comunidade, são mais sensíveis à palavra de Deus e estão em condições de nos ajudar a descobrir o que Deus pede de nós.

SEGUNDA LEITURA
O apóstolo Paulo ensina que o corpo do cristão é templo do Espírito Santo. Isso significa que é o Espírito Santo que toma posse do batizado, despertando nele novos pensamentos, guiando seus sentimentos e produzindo obras de amor. Nesse trecho da carta aos Coríntios ele dá um exemplo concreto e dá o sentido verdadeiro da liberdade.
Havia em Corinto, construído no alto de uma montanha, um templo dedicado a Afrodite (a deusa do amor) e neste templo “trabalhavam” 1000 prostitutas sagradas. Os peregrinos tinham a convicção de que, ao se encontrarem com elas, entravam em contato com a própria divindade e dela recebiam energia. Infelizmente, entre os “devotos” que freqüentavam o templo para “cumprir suas devoções” havia também alguns cristãos. Paulo sente-se horrorizado diante desse comportamento e na sua carta afirma que esse gesto equivale a unir o corpo de Cristo ao de uma prostituta.
A sexualidade não tem como finalidade satisfazer os caprichos egoístas do homem, mas sim manifestar o próprio amor e a doação de si. Somente esses sentimentos estão em harmonia com a nova vida do cristão.

EVANGELHO
Segundo o Evangelho de João, foi dentre os discípulos do Batista que surgiram os primeiros seguidores de Jesus. O próprio Batista incentivou dois de seus discípulos a seguir Jesus, “o Cordeiro que tira o pecado do mundo”. Enquanto se põem a segui-lo, procurando seu paradeiro. Jesus mesmo lhes dirige a palavra: “que procurais?”. “ Mestre, onde moras?”, respondem. Jesus convida: “Vinde e vede”. Descobrir o Mestre e poder ficar com ele os empolga tanto que um dos dois, André, logo vai chamar seu irmão Pedro para entrar nessa companhia também. E no dia seguinte Filipe (o outro dos dois) chama Natanael a integrar o grupo.
O convite de Deus pode ser muito discreto. Talvez esteja escondido em algum fato da vida, na palavra de um amigo, de um inimigo ou, simplesmente, nos talentos que Deus nos deu.
De nossa parte, haja disposição positiva. Importa estarmos atentos. Os discípulos estavam à procura. Quem não procura pode não perceber o discreto chamamento de Deus. A disponibilidade para a vocação mostra-se na atenção e na concentração. Numa vida dispersiva, a vocação não se percebe.
Importa também expressar nossa disponibilidade na oração: “Senhor, onde moras? Fala, Senhor. Teu servo escuta”. Sem a oração, a vocação não tem vez.

José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br