Franca fechou 2011 com um frota de veículos de quase 200 mil veículos: totalizou 195.143 unidades. Os dados, divulgados na semana passada, são do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) e mostram que as ruas da cidade ganharam ao longo do ano passado 12.526 novos veículos. É como se a cada dia, a cidade ganhasse 34 veículos, entre carros, motos, ônibus e caminhões. O número de emplacamentos do ano supera, inclusive, o total vendido nas concessionárias da cidade nos 12 meses (10.127).
Em porcentagem, o crescimento da frota francana no ano chegou a 6,8% e foi maior que o registrado em cidades como Santos (4,5%), Bauru (6,3%) e São José do Rio Preto (6,7%). Em relação a 2010, a frota do ano passado teve um acréscimo de 2,8%, o que corresponde a 352 veículos colocados a mais nas ruas (veja quadro nesta página).
Pelos dados, é possível notar também que o emplacamento de motos cresceu mais do que o de carros. Comparado com o ano anterior, o de carros teve queda de 2,5%, enquanto o de motocicletas aumentou 6,1%. Foram 2.838 motos emplacadas em 2010 contra 3.012 no ano passado. Já o emplacamento de carros caiu de 6.958 para 6.788, respectivamente.
A explicação, segundo o gerente-geral da Luana Motos, Ismar Baptista, está no fato de a motocicleta ser mais fácil de ser adquirida e de muitos motoristas, proprietários de carros, terem optado pelo veículo de duas rodas, em razão da praticidade e da economia. “A moto é mais ágil e econômica.”
Outra vantagem do veículo de duas rodas apontada pelo gerente é a parcela mais em conta (há opções de financiamento a partir de R$ 200 mensais). Segundo Baptista, isso tem levado muitos usuários de ônibus e bicicleta a migrarem para a moto.
Para o professor de economia do Uni-Facef Hélio Braga, o aumento da frota tem o seu lado positivo, mas ao mesmo tempo começa a preocupar no que se refere ao traçado das ruas locais e à segurança no trânsito. “O lado bom do crescimento é que retrata uma economia aquecida, uma expansão do crédito, de um mercado de trabalho crescente e de geração de renda, mas existe também um lado negativo forte.”
Segundo Braga, mais carros, motos, ônibus e caminhões nas ruas resultam em mais congestionamento, poluição e insegurança para pedestre e motoristas. O professor alerta também para a malha urbana que começa a se mostrar incapaz de suportar tantos veículos. “É visível esse inchaço nas ruas. O traçado da cidade não é favorável, há poucas vias de fluidez e cada vez menos uso do transporte público. Se não houver mudanças, teremos mais problemas pela frente.”