07 de julho de 2026

Steve Jobs e o poder das maçãs


| Tempo de leitura: 4 min
Steve Jobs: 1955 - 2011

Todas as vezes que pensei em Steve Jobs (presidente da Apple, morto recentemente em razão de um câncer), depois que ele havia ficado doente, imaginava os imensos recursos médicos colocados à disposição dele. Imaginava as pesquisas médicas, os novos medicamentos, as novas técnicas a serviço de uma vida. Imaginava a vontade dos médicos em curar Steve Jobs... E não é que caí do burro! Steve Jobs, presidente da marca mais cool do momento, inventor, designer de gosto refinado, pai da tecnologia mais cobiçada do momento, dispensou toda a técnica, todo o avanço das pesquisas, toda a ciência que poderia utilizar e optou por um tratamento natural, à base de vegetais, frutas, hortaliças verdes e maçãs.

Optou por um tratamento alternativo, adotando uma alimentação direcionada que, na visão dele, poderia aniquilar um câncer poderoso, agressivo.

Realmente não entendo, sou adepta de uma alimentação saudável, tenho aversão a toda artificialidade alimentar, mas não faço disso minha religião. Daí, fiquei imaginando a razão de Jobs ser assim tão “natureba”. Alguns dizem que Jobs era dotado de uma imensa força de transformação, ninguém duvida. Imaginando-se meio deus, quem sabe, poderia se curar sozinho. Acho mais que, entre o Vale do Silício e San Francisco, Jobs optou pelos eflúvios hippies. Isso eu entendo, porque sou muito mais “paz e amor” do que um iPhone, e comparar o Vale do Silício com San Francisco chega a ser uma covardia.

Não é coisa somente para Jobs usufruir os benefícios de uma alimentação saudável, ou mesmo a busca da cura com a ajuda das dietas - parece ser mesmo uma tendência, um estilo de vida. Nós, mulheres, por exemplo, buscamos combater ou minimizar os efeitos da TPM através da alimentação, comendo chocolates amargos, castanhas do Pará, abacate, chá verde e folhas verdes escuro. Buscamos o emagrecimento através de dietas termogênicas e fibrosas. É legal, come-se para emagrecer, porque parece que o organismo gasta mais calorias na digestão de alguns alimentos do que no ócio. Esses santos alimentos são: os bagaços, maçãs, grãos integrais com capa. Da próxima vez coma a laranja, ao invés de chupá-la.

Antes do resto, esclareço: não sou vegetariana. Mas tenho pensado e lido muito sobre os vegetais, frutas e grãos, afinal eles estão presentes em todas as dietas do bem, e a cada dia se descobre algum milagre vindo deles.

O reino vegetal compreende raízes amargas, folhas picantes, refrescantes, frutas, sementes, doçura, acidez e adstringência. Os vegetais constroem-se a partir do que há de mais simples e abundante no nosso mundo: água, rochas, ar e luz. Pensem numa cenoura, num tomate originando-se do “nada”. Pensem em toda a maravilha advinda da simplicidade da fotossíntese.

Pensem que toda a cor e sabor dos vegetais é resultado de uma estratégia de sobrevivência, pois não andam, não lutam. Para se protegerem das habituais tensões químicas da existência, usam substâncias que nos dão a mesma proteção!

A idéia de que os vegetais são nosso alimento original e os únicos adequados têm raízes culturais profundas. O Gênese traz Adão e Eva como jardineiros:

“E o Senhor Deus plantou um jardim no Éden, a oriente; e ali colocou o homem que modelara. E fez o Senhor Deus crescer do solo todas as espécies de árvores formosas de ver e boas de comer (...) E o Senhor Deus tomou o homem e colocou-o no Jardim do Éden para cultivá-lo e guardá-lo.”

O curioso dessa história é que, na Bíblia, a carne, como nosso alimento, só aparece depois da primeira morte: Abel.

Jobs sabia disso e muito mais. Certamente quis se apoderar de toda essa potência ancestral dos vegetais. Os amigos próximos dizem que ele se arrependeu: quando quis o tratamento convencional, já era tarde demais.

Dica da semana
Cozinhar profissionalmente é como qualquer outra profissão: exige muito estudo, muito treino e muita dedicação. Embora muitas pessoas adorem acreditar que na frente das panelas o ta-lento sempre fala mais alto, ou que é o estado de espírito que faz uma comida padronizada, isto não passa de mito.

Ler e treinar são atos simples que fazem de qualquer aspirante um bom profissional, seja no escritório, no consultório ou na cozinha. Mesmo quem nasce com o presente de um paladar afiado, deve treiná-lo. Não há qualquer possibilidade de se juntar com competência qualquer sabor antes de conhecê-lo. E é imprescindível que se conheça a origem dos ingredientes usados e das técnicas empregadas. Operar desconstruções é ato só para quem já construiu uma base de conhecimento dentro de rígidas normas.

Começa-se lendo, depois se treina tudo o que aprendeu. Depois continue a fazer isso pelo res-to da vida. Se no meio do caminho tiver vontade de apresentar os testes ao público, faça. E continue a ler e a treinar.

Para um bom começo: Fundamentos da Cozinha Italiana Clássica, de Marcella Hazan. Embora seja de culinária italiana, os fundamentos são valiosos para qualquer culinária e mesmo uma dona de casa interessada poderá se divertir muito.