09 de julho de 2026

Chuvas ameaçam casas à beira do córrego Engenho Queimado


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DIAS DE TENSÃO - O pintor Luiz Lopes: em dias de chuva, diz que nem pisa no quintal de sua casa com medo de tudo desmoronar

Janeiro chegou, as chuvas de verão recomeçaram e o medo voltou a assombrar os moradores da Vila São Sebastião, na zona oeste de Franca. Famílias que vivem às margens do córrego Engenho Queimado ficam em pânico a cada vez que chove na cidade. Elas temem que suas casas desmoronem porque estão numa área de erosão. A Prefeitura assinou convênio com o governo federal para investir R$ 18,5 milhões na revitalização do córrego, mas as obras não têm data para começar. 

Os moradores ficaram traumatizados em janeiro de 2010 quando, durante uma forte chuva, mais de 40 metros de terreno foram levados pela força das águas. Na noite de 26 de janeiro, eles foram surpreendidos com um forte barulho, semelhante a um trovão, e no dia seguinte se depararam com a destruição nos fundos de suas casas.

“Há dois anos foi no período chuvoso que desmoronou tudo atrás da minha casa. Um pedaço enorme de terra foi levado de uma só vez. Agora, a gente fica com medo de ficar na própria casa porque a cada chuva pensa que vai levar tudo e meu quarto vai ser o primeiro a ir embora”, disse o pintor Luiz Lopes, 51.

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Luiz mora na avenida Nadir Alves Pimenta com a mulher, a filha, a sogra e os cunhados. São seis pessoas vivendo em dois imóveis, que têm o quintal próximo da área de erosão da Vila São Sebastião. A família tem vivido dias de tensão. “A gente percebe que o solo está encharcado. Nem piso no quintal da minha casa com medo de desmoronar. Quando chove nem consigo dormir”, disse a dona de casa Kelly Cruz, 29.

O marido dela, Luiz, acredita que a distância entre a parede do quarto e a margem do córrego seja de dez metros. Quando criança, Kelly disse que o Engenho Queimado era estreito. “Era pequeno e a gente até conseguia pular. Hoje virou esse buraco enorme nos fundos da minha casa. Me lembro de uma casinha que tinha do outro lado e acabou levada pelas chuvas, por isso meu medo permanente. Sempre que chove fico a noite toda acordada.”

CASA DA SOGRA
As noites chuvosas também alteram o sono dos vizinhos dela. A casa do prestador de serviços Donizete Aímola da Silva, 40, e a de sua sogra ficam no mesmo terreno, na avenida Nadir Alves Pimenta. “Quando aperta a chuva a gente vai para a casa da minha sogra, que fica mais acima, longe da área de erosão. O medo é grande”, disse ele.

Para escapar dos perigos, a saída encontrada pela família é dormir na casa da sogra de Donizete, que mora na frente. “Minha mulher não aceita dormir na minha casa de jeito nenhum porque a gente fica com medo de desmoronar e a casa da gente ir embora.”

A catadora de recicláveis Irma Caceres, 62, mora na rua Primeiro Centenário, na Vila São Sebastião, na outra margem do córrego Engenho Queimado. As paredes da casa estão rachando e ela teme que ocorram mais estragos no imóvel. “Minha casa quase caiu anos atrás e só não foi embora porque jogaram entulhos aqui no buracão. Sem contar o risco de desmoronar, aqui é cheio de lixo e sujeira”, disse ela.

A previsão do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) aumenta o temor dos moradores. Janeiro de 2012 deve ser, segundo os meteorologistas, mais chuvoso do que a média em Franca. A média pluviométrica registrada para janeiro na cidade é de 300 milímetros de chuva. Neste ano, deve atingir os 420 mm.