08 de julho de 2026

Movido a ideal


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Desta feita, esta coluna há de cometer ligeiro desvio do seu enfoque habitual, não se afastando, contudo, do âmbito do Espiritismo, porquanto consistirá em devida homenagem póstuma a Nelson de Paula Silveira, expoente do movimento espírita em todos os seus aspectos doutrinário, administrativo e assistencial.

Desencarnou no dia 21 de dezembro último, depois de longos anos de empenho realizador em áreas que nos eram comuns. Foi aí que muito aprendemos com o Nelson, contemplando-lhe exemplos de dedicação, idealismo e desprendimento.

Nascera em Uberlândia (MG), no dia 4 de março de 1924, para uma vida de 87 anos de profícua atividade. Foi funcionário do extinto Banco Comercial do Estado de São Paulo e, posteriormente, por concurso, ingressou no quadro de funcionários do Banco do Brasil, tendo posse na cidade de Votuporanga (SP). Depois transferiu-se para Marília (SP), onde participou ativamente do Sindicato dos Bancários daquela cidade e região.

Integrou-se no movimento espírita local e liderou o esforço comunitário para a construção do Lar Espírita Amélie Boudet, cujo nome homenageia a esposa de Allan Kardec, e destinado a amparar meninas órfãs.

Em Marília, ainda, liderou os bancários na construção do clube próprio, que veio a ser o melhor da cidade, servindo também à sociedade local.

Candidatando-se a promoção na carreira que escolhera, foi contemplado com a sua nomeação para cargo superior em Franca. Querido no meio em que se havia inserido, os marilienses se movimentaram em frustrada tentativa de anular-lhe a transferência. Aqui chegando, dedicou-se, paralelamente, à Fundação Educandário Pestalozzi, que já possuía uma pequena fábrica de calçados.

Tal foi o seu empenho de liderança que foram criados novos métodos de trabalho naquela indústria, de que resultou projetar o nome Pestalozzi para muito além das fronteiras que o continham. Foi operoso presidente da Fundação Espírita José Marques Garcia e, no ano de 1981, liderou o movimento de unificação em torno do livro espírita em Franca, tendo sido um baluarte na criação do Idefran - Instituto de Divulgação Espírita de Franca, sendo dele a redação da ata de instalação da entidade, o que ocorreu no dia 18.04.1981.

Foi diretor do Templo Espírita Vicente de Paulo, quando da construção da sua nova sede e, ultimamente, presidiu a Fundação Espírita Judas Iscariotes, mesmo dificultado pela idade e saúde precária.

Não desanimava nunca. Sempre acreditava nas pessoas, dizendo: ‘não tenha medo de errar. Para o erro existe o estorno. Só não se corrige a omissão’.

Foi pai de 8 filhos e ajudou na criação de outras crianças. Era exemplo de cidadão. Ajudou a implantar e expandir a Francal, cujos eventos anuais presidiu por duas edições consecutivas.

Muito teríamos a dizer sobre o inesquecível Nelson de Paula Silveira. Seu dinamismo, sua argúcia, mas, o melhor que podemos anotar é que ele era movido a ideal. Onde houvesse a manifestação de um ideal realizador do bem, ali estava ele. Por tudo isso, só podemos dizer ‘obrigado, meu chefe.’

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca