O auxiliar de serviços gerais Marcos Aparecido Moreira, 22, foi condenado ontem a 12 anos, sete meses e 20 dias de prisão, por ter matado a ex-mulher com 33 facadas, em março do ano passado. O julgamento aconteceu no Fórum de Pedregulho. Marcos foi condenado em júri popular, pelo corpo de jurados formado por sete pessoas - cinco homens e duas mulheres -, por homicídio duplamente qualificado (por motivo fútil e com crueldade). O acusado já cumpriu quase um ano de reclusão no CDP de Franca. A defesa promete entrar com recurso e pedir redução da pena.
O crime aconteceu no dia 11 de março de 2011, em uma casa da Rua Paulo Souza Sápio, no Jardim Santa Luzia, em Pedregulho. Marcos estava na casa da mãe quando golpeou sua ex-mulher, a dona de casa Lucimar da Silva Xavier, de 19 anos, mais de 30 vezes no pescoço, nos braços e nas costas. O jovem usou uma faca sem cabo, que estava na cozinha. A Polícia Militar foi acionada e encontrou Marcos ainda no local. Ele assumiu a autoria do assassinato e disse que a teria matado por ciúmes depois dela ter confessado a ele que o traíra com algumas pessoas da cidade.
O julgamento teve início às 10 horas. Na defesa de Marcos esteve o advogado francano Acir de Matos Gomes. O promotor Alex Facciolo Pires fez a acusação. Gomes tentou sensibilizar os sete jurados com depoimentos que diziam sobre as possíveis traições de sua ex-mulher, para que pudesse comprovar que o acusado teria agido por impulso, excluindo a futilidade e a crueldade. Já a promotoria usava o argumento de que foi um número muito grande de golpes.
O veredicto com a condenação saiu às 15h30. Marcos chorou durante quase todas as argumentações. A sentença foi assinada pelo juiz Luiz Gustavo Giuntini de Rezende. Familiares do auxiliar de serviços gerais, que estavam sentados nas primeiras cadeiras, lamentaram a decisão. Os familiares de Lucimar não assistiram o julgamento.
O advogado de defesa vai recorrer da decisão. “A mulher falou na frente dele que ele era corno, que o traia. Sustentamos que diante disso qualquer um é capaz de cometer um homicídio(...) Vamos recorrer.”
A promotoria ficou satisfeita com a condenação. De acordo com Pires, os antecedentes de Marcos colaboraram para a pena menor. “A crueldade foi a falta de humanidade demonstrada pelo número de facadas. E a futilidade foi aquela desproporção, porque ele acabou ceifando a vida da vítima em razão de ciúmes (...) O réu é primário, não tem qualquer antecedente negativo, que o possa prejudicar, e também teve a atenuante de confissão”, disse Pires.
A defesa irá recorrer ao Tribunal de Justiça e pretende retirar, pelo menos uma das qualificações - a futilidade. Com isso, a pena poderia ser reduzida para até 6 anos. O auxiliar de serviços gerais deve cumprir dois quintos da pena (cerca de cinco anos) em regime fechado, mais dois quintos em regime semiaberto e o restante em liberdade condicional.