A descoberta de que 90% das verbas do Ministério da Integração Nacional destinadas ao combate a enchentes foram para Pernambuco, Estado do ministro, e só 1,5% aplicados nos municípios da área de risco do resto do País, indica a necessidade de uma urgente revisão de procedimentos.
Esses recursos, não podem ser distribuídos por critérios políticos e muito menos eleitorais. É dinheiro destinado a salvar vidas e a minorar o sofrimento de populações vulneráveis! Os R$ 25,5 milhões que o ministro Fernando Bezerra liberou para Pernambuco cumpririam melhor sua finalidade se empregados no Rio, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina e outras áreas onde hoje ocorrem mortes provocadas pelas forças da natureza.
O ocorrido na Integração Nacional, cujo nome soa irônico dentro da prática agora revelada, mais uma vez coloca em xeque a prática de loteamento político do governo. Os carreiristas guindados às funções, em vez de cumpri-las para toda jurisdição, acabam por privilegiar as áreas onde têm seus currais eleitorais, em detrimento das demais. Isso é recorrente e, ao longo dos anos, tem causado muitas e infrutíferas reclamações. Através da coalisão política, o governo consegue os votos parlamentares que necessita para fazer passar seus projetos, mas é obrigado a conviver com distorções administrativas.
Não é segredo que o Brasil, com o tipo predatório de desenvolvimento e urbanização, desrespeitou regras básicas da natureza. Eliminou a vegetação das margens dos rios, construiu em encostas, urbanizou áreas de várzeas e cometeu outros desatinos ambientais. Os prejuízos se somam e, cada dia mais, ocorrem catástrofes impostas pela Natureza, pelos agravos sofridos.
Muitos estudos identificam os problemas e indicam as soluções. O País tem conhecimento e tecnologia para a busca do equilíbrio, mas depende de recursos, vontade político-administrativa e, principalmente, continuidade de ações. É comum a prática de socorrer as populações na hora do sinistro e depois deixá-las entregues à própria sorte, como ocorreu recentemente na região serrana do Rio de Janeiro.
Espera-se que o governo seja suficientemente forte para afastar a liberação de suas verbas que são de todo o País - do preferencialismo político-eleitoreiro.
Os ministros e demais dirigentes de órgãos federais têm de ser conscientizados da abrangência nacional de seus postos e a voltarem seus olhos para a magnitude dos problemas colocados sobre suas mesas, jamais para as próximas eleições.
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo