08 de julho de 2026

Vendendo saúde


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Ser, estar e ter representam três estados diferentes na vida das pessoas. Isso quando se usa esse terceto em sentido conotativo. Porque, pela denotação básica, cada verbo desses serve mais de ligação gramatical. A enorme valorização semântica deles vem da filosofia.

Qual é melhor: ‘ser’ ou ‘ter’? Claro, a maioria diz que ‘ser’ traz mais vantagens. No entanto, todo mundo vive quase somente para ‘ter’. E entre ‘ser’ e ‘estar’ não há questão alguma. Somente no inglês ‘to be’ de Shakespeare. Pense em português: você prefere ser doente ou estar doente? Não adianta dizer quem nem uma coisa nem outra. Ninguém escapa da falta de saúde.

Para as mais diversas organizações, incluindo as internacionais, saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental, social e econômico.

Como se vê, não é apenas a ausência de doença ou enfermidade que vai caracterizar um indivíduo sadio. Além do corpo, entram a mente, a convivência e até a parte financeira na composição saudável de uma pessoa.

Dentro da realidade atual, apesar do muito ‘ter’ vigente (será que quem deve, tem?), ninguém anda conotativamente vendendo saúde.

Vez por outra, toda pessoa apresenta uma disfunção física, psíquica, relacional ou de dinheiro. Quando não, as quatro avarias de uma vez só. Está difícil achar alguém com aspecto saudável pleno na atual conjuntura.

Vender saúde hoje em dia só se for denotativamente. Por sinal, essa prática se tornou um filão econômico. Tudo começou com o lento calote dado pelas instâncias governamentais. Atente para as palavras: Inamps (Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social). Médico e hospital estão garantidos na sigla previdenciária. Ou melhor. Estava.

Agora, garantido mesmo está somente o recolhimento do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) feito diretamente na folha de pagamento do trabalhador.

De INPS a INSS, passando pela criação do SUS (Sistema Único de Saúde), o atendimento médico só piorou. Acomodações hospitalares então nem se fala. Correção da aposentadoria já é outra história. E de terror!

Na época do Inamps era possível o segurado marcar consulta médica para o mesmo dia. Não havia necessidade de enfrentar fila nem agendamento. O atendimento acontecia no próprio consultório do médico conveniado. O pedido de exame tinha validade imediata. Bastava ir a um laboratório credenciado. Não havia necessidade de carimbos burocráticos.

A qualidade da assistência médica foi caindo aos poucos. Por isso, os segurados passaram a pagar planos de saúde particulares. Apesar das altas mensalidades, as restrições para atendimento diferenciado vêm crescendo muito ultimamente.

Não bastasse o atendimento médico de massa, paira no ar a possível associação dos dois principais planos de saúde de Franca. Concretizada a fusão, mais fodido (não é palavrão, vem do latim ‘futuere’, arruinado) ainda quem vai ficar é o conveniado.

Antônio Araújo
Articulista e professor - tonin.palavras@uol.com.br