Por incrível que pareça, os roubos já foram ‘mais românticos’ um dia. Talvez poucos se lembrem de Gino Meneghetti, um verdadeiro mito de nossa história criminal. Italiano de nascimento, acabou radicando-se no Brasil no começo do século, já com mais de 30 anos e com um extenso currículo de criminalidade.
Ladrão incorrigível, freqüentou várias prisões pelo país afora, sempre escapando, roubando novamente e fugindo da polícia. Pela repercussão de seus casos na mídia, foi aos poucos tornando-se um símbolo do bom ladrão. Se não era um Robin Hood, por não dividir com os pobres os frutos de seus roubos, pelo menos buscava tirar de quem tinha mais.
Meneghetti buscava sempre as mansões mais ricas, mas sempre quando não havia ninguém dentro da casa. Agia sempre sozinho e era expert em andar pelos telhados das casas, de onde empreendia fugas sensacionais.
Em função de todas essas histórias, ele cativava as pessoas, inspirando a ingênua idéia do bom ladrão. Foi tema de livros e filmes. Chegou até mesmo a ganhar do governo de São Paulo uma banca de jornal na rua Amador Bueno. Mas seguiu incorrigível. Continuou roubando, mas em função de seus mais de 70 anos, passou a ser preso com mais freqüência, até que a velhice o fez se acalmar de vez.
É claro que essa romantização do crime não engana mais ninguém nos dias de hoje. Não existe (nem nunca existiu) bom ladrão, nem Robin Hood. Roubo é sempre um crime, uma usurpação do trabalho e do suor alheio. Nesse sentido, precisa ser combatido.
Porém, a julgar pela violência que enfrentamos hoje em dia, se lêssemos ou ouvíssemos sobre Meneghetti, com certeza teríamos saudades daqueles tempos.
Os crimes de hoje parecem ter mudado de ‘tom’. Acompanhando a transformação da sociedade, parece que também se profissionalizaram, aumentando a dose de planejamento, de organização e também de violência, se não explicita, em muitos casos, pelo menos implícita em sua quase totalidade.
Um triste profissionalismo, é verdade, que tem trazido muita apreensão e dor de cabeça para as famílias de Franca e região. Nos dias de hoje, muita gente tem medo de sair de casa, não apenas por conta da violência das ruas, mas também pela organicidade das quadrilhas, que rapidamente descobrem a ausência dos proprietários e se lançam à voracidade do furto.
Nessa semana, porém, outra situação da clara evolução para a piora do quadro de violência. Ousada, uma quadrilha nem se importou com a presença da família - 8 pessoas! Com seis elementos armados, adentrou a casa e fez a todos reféns. Mesmo com o ensaio de reação por parte de um dos membros da família, ninguém se machucou, o que denota ainda mais o profissionalismo do grupo. O grupo fugiu com objetos e com os carros da família, mas se envolveu em um acidente e deixou o produto do roubo na estrada, que foi recuperado.
O problema porém, não está apenas na violência física, mas também no medo que invade cada vez mais a vida das pessoas e na facilidade com que hoje as pessoas se juntam e se organizam para prejudicar a vida alheia.
E o pior é que pode piorar.