Agora é oficial. Franca acaba de se tornar a capital nacional do calçado masculino de couro. Foi aprovado no final de dezembro o pedido apresentado pelo Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca) para que os sapatos produzidos na cidade tenham um selo de indicação geográfica atestando a qualidade dos produtos feitos na cidade e dificultando a falsificação.
O pedido foi feito em novembro de 2010 ao Inpi (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) e é o primeiro do Estado de São Paulo a ser aprovado pelo órgão. No Brasil, é o 14º. Para o presidente do Sindifranca, José Carlos Brigagão, esta é uma grande conquista para o setor. “Esse é o reconhecimento oficial da qualidade da nossa indústria e do nosso calçado. Seremos o primeiro calçado a ter um certificado de origem do país.”
O parque industrial de Franca possui atualmente 467 empresas que fabricam, em média, 35 milhões de pares de calçados por ano. “Ainda estamos definindo como será o processo. Mas todas as empresas que quiserem usar este selo de indicação geográfica terão que se cadastrar e comprovar a qualidade do calçado que fazem.”
Para analisar os pedidos de cadastramento e analisar os sapatos feitos em Franca, o Sindifranca estuda a contratação de uma empresa estrangeira especializada nesta área. “Este é um processo muito rígido, em que o controle tem um papel fundamental. Pouquíssimas empresas no Brasil têm condição de desenvolver um trabalho de qualidade, por isso pensamos em trazer alguém de fora.”
Ainda não há prazo para o início do cadastramento. Primeiro será preciso realizar a cerimônia de entrega do diploma de indicação geográfica, o que deve acontecer ainda neste trimestre do ano. “Nossa expectativa é realizar uma cerimônia até março deste ano, com a presença do governador Geraldo Alckmin (PSDB) para comemorar esta conquista. Só depois acertaremos os últimos detalhes de como vai funcionar todo o processo internamente”, disse José Carlos Brigagão.
OUTROS SELOS
Além dos calçados de Franca, alguns produtos também têm sua origem assegurada por lei. Como é o caso do queijo de Serro, em Minas Gerais; da carne bovina, da região dos Pampas Gaúchos, do vinho tinto, do Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul, entre outros. No Brasil, também produtos estrangeiros contam com proteção de origem como os vinhos portugueses, os cognacs franceses e os vinhos italianos.