10 de julho de 2026

Família teme repressão de vizinhos após acusação de maus-tratos


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COMOÇÃO - A mãe Ana Souza e o marido Fábio Minchio choram próximo do caixão em enterro

A mãe e o padrasto do menino Daniel Henrique de Souza Resende, de 2 anos, que morreu na noite da última sexta-feira em Ribeirão Preto com suspeita de ter sofrido maus-tratos afirmaram ontem estar com medo de voltar para casa. O casal passou o domingo e a segunda-feira em Franca, na residência da avó materna da criança no Jardim São Luís. Eles moram em Ribeirão. Daniel foi enterrado domingo no Cemitério Santo Agostinho, em Franca (leia texto nesta página).

No sábado, enquanto ainda organizavam o translado do corpo do menino em uma funerária de Ribeirão, o casal recebeu a ligação de um vizinho informando que a casa deles havia sido invadida. Imediatamente, se dirigiram até o local e constataram uma porta arrombada. “Liguei para registrar um boletim na polícia e nisso escutei um barulho de tumulto. Aproveitei e pedi para os policiais irem até lá”, disse Fábio Minchio, padrasto do garoto. Ele e a mulher, a mãe do menino, Ana Aparecida Souza, saíram do imóvel escoltados pela Polícia Militar. Minchio não quis revelar para onde foram levados.

“As pessoas estão nos julgando sem saber toda a história. Só sabem da morte, não acompanharam o que aconteceu antes. Temos que voltar, mas estamos com medo da reação do povo”, disse Minchio. O casal retornará hoje para Ribeirão, onde a avó Maria Clemência de Souza prestará depoimento na Delegacia de Defesa da Mulher, que investiga o caso.

Daniel morreu na noite de sexta-feira no Hospital das Clínicas de Ribeirão. Segundo a mãe da criança, ela estava em um supermercado, quando o menino caiu no banheiro no momento em que o padrasto se ausentou para ver o filho de cinco meses que chorava. O menino foi levado inconsciente para o HC, que registrou um boletim de ocorrência de maus-tratos, pois a criança apresentava marcas nas pernas e nas nádegas. Segundo a certidão de óbito, a causa da morte foi traumatismo crânio-encefálico. Um mês antes, o menino já havia sido atendido com hemorragia craniana. Por causa disso, havia começado um tratamento contra convulsões. Os pais trocam acusações a respeito de quem seria a responsabilidade pelos ferimentos do garoto.

Ontem, a delegada do caso Maria Beatriz Moura Campos disse que ouvirá a avó e a madrasta da criança, que moram em Franca, e aguardará os laudos realizados pelo Instituto Médico Legal para dar sequência às investigações. O pai, o padrasto e a mãe já foram ouvidos. “Todos negaram os maus-tratos, mas temos que ter cautela”, se limitou a dizer a delegada.

O IML de Ribeirão não divulgou quais laudos foram pedidos nem quando eles ficarão prontos.