10 de julho de 2026

Criança morre no banho e polícia apura maus-tratos


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MORTE - Foto de Daniel Henrique de Souza Rezende, 2 anos, no notebook de seu pai: garoto teve morte encefálica na sexta

Patrícia Paim e Samuel Santos

Da redação

 

O garoto Daniel Henrique de Souza Rezende, de 2 anos, que até dezembro morava em Franca com a avó materna, morreu sexta-feira no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) Pediátrico do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, onde estava internado em estado grave desde a noite de quinta-feira, 5. A criança, que residia com a mãe Ana de Souza, 23, e com o padrasto Fábio Minchio, 31, no Jardim Iara em Ribeirão, teve uma convulsão após cair no banheiro. Segundo o padrasto, o menino teve morte encefálica. O HC registrou dois boletins de ocorrências - um de maus-tratos, porque o garoto estaria com hematomas nas pernas e nádegas, e outro comunicando a morte.

O eletricista Fábio Minchio disse que, enquanto a mãe foi ao supermercado, ele dava banho na criança quando o bebê de cinco meses, filho do casal, chorou e ele foi vê-lo. “Ouvi um barulho no banheiro e, quando voltei, ele (Daniel) estava sentado, mas não estava chorando. Não sei se ele bateu a cabeça. Quando fui secá-lo, percebi que ele foi ficando mole e começou a ter uma convulsão. Corri e pedi ajuda a um vizinho, que levou a gente ao posto de saúde perto de casa. Os médicos atenderam ele rapidamente e constataram que estava mesmo com convulsão. Ele foi encaminhado para o HC. O Daniel estava desacordado, mas respirava.”

Fábio Minchio afirmou ainda que essa foi a segunda vez que Daniel teve uma convulsão em pouco mais de um mês. “Quando veio para Ribeirão no dia 4 de dezembro, depois de visitar o pai (que mora em São José da Bela Vista), ele estava com uma mancha roxa na cabeça e reclamava de dor. Ele disse que foi a madrasta que bateu a cabeça dele na parede. No dia seguinte, ele teve uma convulsão e ficou 16 dias internado. Os médicos disseram que ele teve um sangramento na cabeça, mas não fizeram cirurgia. Na quinta-feira aconteceu de novo e ele teve outro sangramento.” O padrasto de Daniel disse que, desde a primeira convulsão, ele e a mulher decidiram que a criança não voltaria mais para Franca. “A avó dele dizia que ele costumava voltar agressivo da casa do pai”, disse o padrasto. O pai da criança nega que ele ou a madrasta tenham agredido a criança.

O HC registrou dois boletins de ocorrência. O primeiro por maus tratos, às 22 horas do dia 5 de janeiro, quando a criança deu entrada no hospital, e o segundo quando a criança morreu, no dia 6 de janeiro, às 23h30. O caso está sendo investigado pela DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Ribeirão, que deverá ouvir a mãe, o padrasto, o pai e a madrasta de Daniel.

ÓRGÃOS
Segundo Minchio, os órgãos de Daniel foram doados. Os rins seriam transplantados em hospitais da região. O coração e o fígado seriam encaminhados para hospitais de São Paulo. Após passar pelo Instituto Médico Legal de Ribeirão, o corpo foi trasladado para Franca, onde os trabalhos ficaram com a Funerária Santa Bárbara. A previsão é que o enterro aconteça na manhã deste domingo no Santo Agostinho.