Após a divulgação pela imprensa das fraudes em próteses de silicone da empresa francesa PIP (Poly Implant Prothèse), mulheres de Franca que fizeram implantes de silicone nas mamas passaram a procurar as clínicas para saber se suas próteses são dessa marca e se correm risco de saúde.
Na Clínica Tutti Corpore, o médico Marcus Vinícius Jardini Barbosa, que é cirurgião plástico há oito anos, resolveu fazer um rastreamento nos prontuários de suas pacientes para saber se elas usaram esse tipo de prótese. Localizou duas pacientes com as próteses da empresa francesa. Elas passaram pela operação em 2008. O médico já contatou as clientes e agendou consulta para avaliar as próteses.
Ele disse que usou as próteses da PIP em 2008, mas não gostou porque elas são mais rígidas. “A partir de 2009, padronizei o uso das próteses importadas dos Estados Unidos.”
A clínica dele realiza em média cem implantes nas mamas por ano. O cirurgião segue a orientação da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e orienta a não retirada imediata das próteses. “Todo implante é um corpo estranho no organismo e pode gerar intercorrências. O correto é monitorar o corpo. Não há motivo para pânico porque a possibilidade de ruptura é muito pequena.”
Na Scullp Day Hospital, com 27 anos de história, a estimativa é a de que 20 mulheres tenham implantado as próteses francesas. O cirurgião plástico Miguel Sabia também orienta as pacientes a manterem o acompanhamento médico normal para monitorar a região onde o silicone foi implantado. A Scullp realiza em média 20 cirurgias de implantação de silicone nos seios por mês.
A Clínica Abboud recebe pelo menos uma ligação por dia de mulheres que já fizeram o implante ou estão com cirurgia agendada e questionam qual a marca das próteses usadas. A clínica usa próteses nacionais. Em Franca, o valor da cirurgia para implantar silicone nos seios varia de R$ 5 mil a R$ 9 mil.