08 de julho de 2026

Belmiro Arruda Neto


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Foram poucos, porém marcantes os meus contatos com Belmiro Arruda Neto. Quando o conheci ele já estava residindo na região serrana do Rio de Janeiro, em uma comunidade denominada Bom Jardim, imediações de Nova Friburgo, onde, aliás, foi figura destacada. Vinha esporadicamente à Franca visitar os irmãos, Celene e Daniel, a cunhada Adorama, sobrinhas e amigos. Sem dúvida o Criador foi bastante generoso com ele. Era detentor de uma personalidade marcante, extremamente bem apessoado, dono de um invejável poder de persuasão, excelente comunicador e com grande capacidade de construir amizades e influenciar pessoas.

Foram muitas as oportunidades que a vida lhe ofereceu. Belmiro poderia ter sido destacado advogado, pois bacharelou para isso na gloriosa Faculdade de Direito de Franca. Teria dessa forma seguido os passos do pai, Dr. Antônio Arruda e do irmão, Dr. Daniel Arruda, ainda um dos expoentes da advocacia francana. Também poderia ter se tornado um ator global. Sabe-se que ele demonstrou enorme talento na arte de representar, tendo participado do elenco de Hair, peça de enorme sucesso na década de 70. O seu talento rendeu convites para atuar na televisão de São Paulo, inclusive na Rede Globo, que já naquela época dava os primeiros passos e os primeiros sinais para se tornar líder de audiência.

De um de seus relacionamentos, nasceu João, o único filho. Belmiro sempre viveu com absoluto desapego às coisas materiais, encantou-se com a ‘Cultura Racional - Universo em Desencanto’, tornando-se um dos seus divulgadores. Foi um dos grandes expoentes dessa cultura, tendo inclusive fundado um Centro de Cultura Racional.

A Cultura Racional baseia-se na obra ‘Universo em Desencanto’ de Manoel Jacinto Coelho. Segundo o site oficial, os livros apresentam uma descrição da origem da humanidade e sua evolução. Os postulados dão um sentido novo e verdadeiro da nossa razão de ser, mas também uma ampla e positiva consciência dos desígnios maiores da vida nos conduzindo a um perfeito equilíbrio, orientado para a racionalização dos povos e a paz universal.

Viveu a sua vida da forma como ele julgou ser a melhor, a mais indicada e a que o tornava mais feliz. Nunca prejudicou ninguém. Infelizmente, no último dia 28 de dezembro, aos 69 anos, faleceu vitimado por um acidente automobilístico ocorrido próximo à cidade de Itumbiara. Na oportunidade iria participar de um encontro anual em Goiás.

Interessante que no início do ano passado, a comunidade de Bom Jardim sofreu com as fortes chuvas que vitimaram milhares de pessoas. Naquela ocasião, Belmiro, que residia na zona rural, ficou incomunicável por vários dias, trazendo grandes preocupações aos familiares. Felizmente soube-se depois que ele apenas havia ficado ilhado, sem qualquer possibilidade de contato ainda que telefônico. Agora se soube que no momento do acidente chovia torrencialmente na cidade de Itumbiara. Surpresas da vida e da morte.

A todos os familiares, o nosso sentimento de pesar. Porém, como bem ponderou o amigo e colega Daniel Arruda, neste Comércio: ‘Belmiro viveu e morreu como queria. Sua felicidade se resumia nisso’.

Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca.