08 de julho de 2026

Turismo diferente


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Quase sempre a pessoa que viaja a passeio vê aquilo que quem vive no próprio local visitado nunca viu antes. Essa constatação serve para comprovar a falta de sensibilidade de muita gente para enxergar sua rua, seu bairro, sua cidade. Enfim, o que está ao seu redor.

Se algum francano dissesse que o córrego dos Bagres é o curso de água mais bonito do mundo, na certa, seria tachado de louco. Ou então iam achar que se trata da visão de um poeta. Só a loucura ou a poesia consegue fazer com que o rio da aldeia de cada um seja o mais belo dentre todos. Já os racionais não conseguem ver o chão em que pisam.

Dia desses, um turista paulistano visitava a cidade. Ao passar de carro sobre a ponte (até hoje sem nome, agora, antes mesmo de se construir um viaduto, já arrumam denominação!) da rua Voluntários da Franca, perguntou ao seu amigo francano que riacho era aquele lá embaixo. Depois de ouvir a referência a bagres, parou o veículo para ver se tinha peixe no córrego.

O acompanhante ainda contra-argumentou, dizendo que as águas estavam canalizadas. Não havia mais bagres. Somente poluição.

Mas turista é teimoso. Saiu do carro. Perto do fluxo do córrego, gritou para o amigo que a água era límpida. A contragosto, o francano foi ver. Passava por ali todo dia e não havia reparado no transparente líquido aquoso a correr.

Diante da limpidez das águas, o visitante quis conhecer a nascente do córrego. Duplo espanto para ele. Primeiro, o morador de Franca nem sabia onde ficava.

Após consultar o mapa pelo Google, soube-se que o nascedouro fica em pleno perímetro urbano. Eles partiram para o final da avenida. Doutor Hélio Palermo. Lá, o perplexo turista verificou o recente desmatamento do local.

Fazer turismo atualmente está muito fácil. A pessoa compra um pré-agendado pacote de viagens e embarca no dia marcado. Nem se importa com os atrasos constantes. Chega aos locais turísticos e não caminha por parte alguma. Apenas visita, de passagem, os mais diferentes lugares, usando veículos. Não anda a pé. Contato mesmo com a terra não existe.

O ideal seria que toda viagem de lazer acontecesse depois de se conhecer por inteiro a própria cidade.

Entra no pacote também uma visita pelas redondezas. Só assim, com um turismo diferente, feito antes na localidade em que se vive, é que alguém poderia se aventurar por outras paragens.

Esses passeios prévios formam a bagagem do viajante. Servem para comparação futura.Como meta positiva de ano novo, experimente caminhar pelos variados pontos da cidade.

Os locais urbanos mais distantes podem ser percorridos por meio de pedaladas em uma bicicleta. Deixe de lado a esteira ou a ergométrica.

Dentro de pouco tempo o seu corpo e a sua mente vão agradecer esses pequenos e agradáveis movimentos físicos. Depois disso, boa viagem!

Antônio Araújo
Articulista e professor - tonin.palavras@uol.com.br