O sapateiro Tiago Oliveira Vilas Boas, 22, morto com uma facada no abdome no último domingo, foi enterrado na tarde de ontem no Cemitério Santo Agostinho com a presença de familiares revoltados. O homicídio aconteceu por volta das 15h30 na Rua Luís Milani, no Jardim Luiza II, em Franca. O pedreiro NVB, 45 anos, vizinho da vítima, é acusado pela polícia de ser o autor do assassinato.
De acordo com o boletim da Polícia Militar, o sapateiro acreditava que teria sido denunciado pelo vizinho à polícia por envolvimento com drogas e teria ido à casa dele para tirar satisfações. Armado com um pedaço de madeira, Tiago entrou na residência e os dois começaram a brigar. O vizinho, então, pegou uma faca de cozinha e a discussão continuou na rua. O sapateiro foi atingido no lado esquerdo do abdome, na altura do fígado, e foi encontrado pelos policiais sem vida, caído de costas no asfalto.
Ainda segundo informações da polícia, antes de brigar com o vizinho, Tiago discutiu com a mulher - uma adolescente de 17 anos -, quebrou vários móveis da casa e a agrediu. A adolescente teria testemunhado o crime.
A família de Tiago discorda da versão apresentada pela polícia. O caminhoneiro e tio da vítima, José Jerônimo de Faria, 36, acredita que o rapaz tenha sido morto dentro da casa do vizinho e depois jogado na rua. “Do jeito que o mataram só podia ter dois segurando ele, porque a facada foi certeira”, disse ele.
O tio de Tiago confirma que ele “quebrou a casa”, mas diz que o sobrinho nunca agrediu a mulher com quem estava casado desde maio e tem uma filha de um ano e dois meses. “Depois que foram morar perto da sogra ele ficou mais agressivo. Eles tinham se separado porque a sogra dele intrometia muito na vida deles e eles brigavam muito”, disse o tio. “Ela falou que ele a agrediu, mas não está com hematomas, não fez exames. Desapareceu.”
O vizinho, principal suspeito do crime, fugiu por uma mata, que fica em frente à casa. E moradores do bairro afirmam que a família se mudou da residência. “Logo depois que recolheram o corpo do Tiago encostou um caminhão e carregou a mudança. Deus faz a justiça dele, mas a polícia tem que fazer a investigação, esse crime não pode ficar impune”, afirma José.
Um inquérito foi aberto na DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Franca para apurar as circunstâncias do homicídio.