Ter uma promoção profissional, se casar, ter um filho, organizar o orçamento familiar, comprar uma casa ou largar o cigarro. Cada um tem um desejo especial de mudar de vida e, por tradição, os primeiros dias do ano são os mais propícios para fazer o balanço das coisas que almejamos para os próximos 365 dias. Distinguir acertos e erros, e traçar um programa, mesmo que mental, para mudar o que é necessário, faz parte da vida de muitas pessoas.
Comigo não é diferente e o meu maior anseio em 2011 era emagrecer. Ao longo do ano resolvi pôr em prática esse desejo e, desde então, lá se foram 36 quilos. Passei do manequim 50 para o 42 e dos 110 quilos para os 74, sem remédios e sem cirurgia no estômago. O segredo dessa mudança radical foi apenas um: querer! O resto, mudar a alimentação e inserir na rotina a prática diária de exercícios, foi consequência.
Desde que me entendo por gente travo uma luta contra a balança, então não é difícil imaginar que diminuir o manequim sempre fez parte da minha lista de resoluções. Apesar disso, faltava atitude e coragem para levar adiante a decisão. Por anos prometi e não cumpri, era sempre no esquema “segunda-feira eu começo” ou ainda “quando tiver tempo e dinheiro para malhar vou fazer dieta”. As desculpas só não eram maiores do que a comodidade.
Perdi as contas de quantas vezes fui a médicos e nutricionistas esperando receber um receituário ou um cardápio milagroso para emagrecer. Dormir gorda, acordar magra. Decepcionada com o que ouvia deles - o óbvio: comer menos do que gastamos, diminuir o consumo de doces, frituras, refrigerantes, entre outros -, colocava as indicações dos profissionais em algum fundo de gaveta e continuava fazendo as escolhas erradas.
O SUSTO
As coisas começaram a mudar em março em 2011, quando precisei ir ao médico e fui “convidada” por ele a me pesar. O espelho, as roupas e a autoestima no dedão do pé já me denunciavam mas, como fugia da balança, não tinha noção exata do quanto estava descontrolada. O susto veio quando descobri que havia alcançado incríveis 110 quilos e meu IMC (Índice de Massa Corpórea) era de 35, o que caracteriza obesidade (leia mais em texto nesta página e descubra se você está no peso ideal). Não era mais uma questão apenas de estética, era minha saúde que estava em jogo.
A poucos dias das férias, marcadas para abril do ano passado resolvi que, ao contrário dos anos anteriores, não iria fazer turismo. Aproveitei aqueles 30 dias para dar o ponto de partida para minha nova vida. Naquelas quatro semanas caminhei por uma hora todos os dias, fiz boxe e musculação e segui uma dieta rígida. Ariana teimosa, adoro um bom desafio e emagrecer foi a grande meta do ano. Tinha uma noção exata de que apenas 10 quilos me fariam pouca diferença e que, se realmente quisesse perder peso, tinha que mudar meus hábitos.
Ao longos dos últimos meses transformei completamente minha vida, emagreci e posso garantir, por experiência própria, que se existiu algum milagre nessa perda de peso foi o do desejo e da força de vontade. Querer e acreditar que era possível foram os pontos principais.
XÔ FAST FOOD
A transformação foi na alimentação, que deixou de ser desregrada e cheia de fast food, chocolate, bolacha recheada e frituras para ser composta por verduras, legumes, carnes magras e frutas (tudo isso em pequenas porções, de três em três horas). Mas foi também no ritmo de vida. Há um ano eu dormia tarde, depois das duas da manhã, e acordava por volta das 11, poucos minutos antes do horário de vir para o jornal, onde sou repórter do Núcleo de Projetos Especiais. Minha vida se resumia a comer, dormir e trabalhar.
Nove meses depois, raras são as vezes em que vou para cama depois das 23 horas. Às sete da manhã, estou acordando para dar início às atividades do dia: muay thai três vezes por semana (segunda, quarta e sexta-feira) e corrida e caminhada na terça, quinta e no sábado. Domingo me dou de folga. Essa mudança de hábitos me devolveu a auto-estima, a disposição e me colocou no chamado “peso normal” pela tabela do IMC, 23.
Contei nesta jornada com a ajuda e o apoio de profissionais importantes, como o endocrinologista Mauro Figueiredo, que me acompanhou desde o começo, olhando de perto a saúde e os exames que eu fazia rotineiramente, e dos educadores físicos Alex e Anderson Bevilaqua, meus professores de muay thai, esporte pelo qual me apaixonei. Tão fundamental quanto tirar os doces do menu foi descobrir o prazer de malhar. Parece piegas, mas não é. Quando você gosta do tipo de atividade que faz, se exercitar não é obrigação, é diversão.
A média de quilos perdidos ao longo desses meses foi de 4 a cada 30 dias, mas na prática não foi bem assim. Nos primeiros meses cheguei a perder 7 quilos em um só mês, depois o número caiu para 6, 5 e 4 quilos. Houve meses em que eu não perdi nada e aí, claro, batia o desespero. A diferença de ter acompanhamento profissional é que há sempre uma resposta.
EFEITO PLATÔ
Segundo o doutor Mauro o que aconteceu comigo era o chamado “efeito platô”: “Quando o organismo está passando pelo processo de emagrecimento é normal responder assim, pois se acostuma com a nova quantidade de alimentos e já não gasta tanta energia como antes. O efeito é passageiro”, afirmou o médico.
Hoje posso garantir que a mudança que me propus valeu a pena. Emagrecer foi a maior conquista do meu ano e, se eu consegui, qualquer pessoa consegue. Basta querer!