09 de julho de 2026

‘Mal súbito é uma fatalidade’, explica médico pediatra


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SAUDADE - Irene Damasceno Sousa exibe a foto da neta Ana Carolina Sousa Rodrigues, 5, que morreu vítima de mal súbito

“Ela era muito saudável, brincava, corria, pulava, adorava um pula-pula. No domingo ela brincou o dia todo. Na segunda saí para trabalhar, ela estava bem. Não sei o que aconteceu.” As palavras desconsoladas são da vendedora Elessandra Damasceno Sousa, 36, mãe de Ana Carolina Sousa Rodrigues, de apenas 5 anos, que morreu de repente no último dia 12, após desmaiar enquanto passeava de bicicleta ao lado da avó no City Petrópolis. A causa da morte ainda permanece indefinida até a conclusão da biópsia. A morte repentina e aparentemente sem causa, como a da pequena Ana Carolina, é comumente chamada de mal súbito.

Mas, afinal, o que é um mal súbito? “Como o próprio nome diz é um mal que acontece de repente. Não há como prevenir. É uma fatalidade, igual acidente”, disse o médico pediatra Ulisses Martins Minicucci.

A família de Ana Carolina está inconformada com o que aconteceu. “Eu cuidava dela para a mãe trabalhar. A gente tinha ido na lojinha aqui perto. Ela ainda me perguntou: ‘Vai comprar alguma coisa para mim, vó?’. Comprei aquele brinquedo de molas. A gente estava descendo, ela colocou a bicicleta na calçada, tinha uns cachorros latindo e, quando vi, ela caiu. Quase morri quando ela começou a passar mal. Acho que ela teve uma convulsão, foi muito rápido”, relatou Irene Damasceno Sousa, 58, que desesperada não aguentou esperar a ambulância e com a ajuda de uma vizinha levou a neta de carro até o Hospital Regional, onde ela chegou sem vida.

Segundo Ulisses Martins Minicucci, o mal súbito seguido de parada cardiorrespiratória é muito comum em recém-nascidos, mas não em crianças maiores. “Possivelmente a Ana Carolina devia ter alguma doença de base, uma anormalidade cardíaca qualquer que ninguém tomou conhecimento, não apareceu e se exteriorizou naquele momento”, disse o médico.

O pediatra ainda levanta outra hipótese para explicar a morte inesperada da garota. “Ela deve ter tido uma convulsão e em função disso pode ter aspirado um conteúdo do suco gástrico e ter morrido por asfixia”, acredita Minicucci, orientando o que pode ser feito, com calma e agilidade, em casos imprevisíveis de mal súbito. “Deve-se imediatamente procurar atendimento hospitalar. O máximo que se pode fazer é respiração boca-a-boca ou massagem cardíaca. Se a vítima tiver convulsão, deve ser deitada de lado com as roupas mais abertas.”

Mesmo o mal súbito não sendo previsível, o médico orienta os pais a manter a saúde dos filhos em dia. “A criança deve frequentar o pediatra rotineiramente, seja nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) ou hospitais particulares, se a família tiver convênio”, disse Minicucci.