Daqui a algumas horas, receberemos mais 365 dias (e seis horas, já que teremos um ano bissexto) de chances novas. O que vamos fazer com elas?
Sábado passado falei sobre nossos fantasmas mais temidos, a violência que (re)nasce do homem e a insegurança que disso deriva. Deveríamos, todos, caminhar para uma convivência produtiva, aquela capaz de proporcionar felicidade a cada um, individualmente, mas, continuamos como temos sido: avessos, despreocupados.
‘Hoje temos edifícios mais altos, mas pavios mais curtos. Auto-estradas mais largas, mas pontos de vista mais estreitos. Gastamos mais, mas temos menos. Nós compramos mais, mas desfrutamos menos. Temos casas maiores e famílias menores. Mais conhecimento e menos poder de julgamento. Mais medicina, mas menos saúde. Bebemos demais, fumamos demais, gastamos de forma perdulária, rimos de menos, dirigimos rápido demais, nos irritamos facilmente. Ficamos acordados até tarde, acordamos cansados demais... Multiplicamos nossas posses, mas reduzimos nossos valores.
Falamos demais, amamos raramente e odiamos com muita frequência. Aprendemos como ganhar a vida, mas não vivemos essa vida. Fizemos coisas maiores, mas não coisas melhores. Limpamos o ar, mas poluímos a alma. Dividimos o átomo, mas não nossos preconceitos. Escrevemos mais, mas aprendemos menos. Planejamos mais, mas realizamos menos. Aprendemos a correr contra o tempo, mas não a esperar com paciência. Temos maiores rendimentos, mas menor padrão moral. Tivemos avanços na quantidade, mas não em qualidade. Esses são tempos de refeições rápidas e digestão lenta, de homens altos e caráter baixo, lucros expressivos, mas relacionamentos rasos. Mais lazer, mas menos diversão. Maior variedade de tipos de comida, mas menos nutrição. São dias de viagens rápidas, fraldas descartáveis e moralidade também descartável e pílulas que fazem de tudo: alegrar, aquietar, matar...’
O texto aspado que você acaba de ler é um extrato de “Paradoxo de nosso tempo” atribuído ao Bob Moorehead, pastor em Seattle, EUA e, também, a George Carlin, humorista e ator norteamericano, ferrenho crítico da sociedade moderna. Supostamente, foi escrito em 1995 e gravado em 2002, no Brasil, pelo radialista Franco Neto, da Joven Pan (clique aqui para ouvir), tornando-se conhecido. Prova, entra ano, sai ano, que continuamos imersos em nossas vaidades pessoais.
Apesar do que pode parecer, quero que o baixo astral esteja bem longe de todos nós. Afinal, em horas teremos novas chances de acertos. Devemos tentar tudo de novo. Quem sabe, ao final de 2012, em função do conhecimento que pudermos sorver de um poder superior segundo nossas crenças, ou de nossa própria vontade, nos daremos as mãos, reuniremos forças e arremessaremos, para bem longe, a triste sina de viver como homens-feras que devoram tudo e a todos. Ave, paz, que tanto ansiamos e que só poderá acontecer quando, finalmente, quisermos...
RETRIBUO
Agradeço e retribuo votos de bom Natal e feliz 2012 recebidos do arquiteto Luciano Sousa, Diretoria de Comunicação e Relações Institucionais da CPFL Paulista (brinde e cartão que “acende”, genial), articulista Felipe Salomão, Luiz Cláudio Barsotelli, do MIS; consultores Zdenek Pracuch (bom saber que está bem, pronto aos desafios de próximo tratamento) e Fausto Giannechini. É especial a mensagem que Fausto escolheu e que, com licença dele, recupero para saudar meus leitores, amigos, familiares e ouvintes de rádio: “Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias às quais deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para diante vai ser diferente’.
SORTE, A MINHA
Durante o ano, fui, de novo, objeto do carinho e do respeito de amigos certos, que não se afastam mesmo convivendo com minha rudeza e desacertos. Não posso deixar de agradecer-lhes, uma vez mais, pelo valor que agregam à minha vida. Acir de Matos Gomes, Everton Lima, Corrêa Neves Júnior e Sônia Machiavelli, Joelma Ospedal, José Moacyr Pelizaro e Ção, Normando Paim e Rita, Cláudio Antônio Borges e Silvia, Sátiro Rodrigues Alves. Com esses e, de quebra, ‘suportado’ por Juraci Lima, minha mãe; e Lourdinha, minha mulher, posso quase tudo. Como não quero mais do que tenho, continuarei sendo o cara mais feliz do mundo.
RENASCIMENTO
Em 27 de novembro deixou esta vida o empresário, dentista e agropecuarista Milton Guerrieri Brigagão. Tinha 96 anos. Conheci-o e, também, a seus pais, Amadeu e Anita, estes, já bem velhinhos. Atuou como dentista no SESI e mereceu medalha de Mérito da Academia Brasileira de Odontologia, mas foi na indústria calçadista que cravou seu nome de forma indelével: fundou Calçados Sândalo. Casou-se com Maria de Lourdes e tornou-se patriarca de família referencial e produtiva integrada pelos filhos Paulo de Tarso, Sônia e Carlos Alberto, 6 netos e 7 bisnetos. Então, foi um homem bom em tudo o que fez. Partir também é renascer. Pêsames à família, que conheço e admiro.
SEBASTIÃO GOMES RODRIGUES
Escolhi este leitor e ouvinte das mídias do GCN, residente em Araraquara (SP), para representar todos os comentaristas que ‘conversam’ com a Editoria de Opinião do GCN o ano todo. Enviou-me ‘lembrança’ que fez recordar meu médico de infância, Jarbas Spinelli. Transcrevo, porque também serve como propósito para 2012: “Quando viajava, Dr. Jarbas colocava na porta de seu consultório da rua Marechal Deodoro o seguinte aviso: “O doutor não está, volte para casa. Alimente-se bem. Durma cedo. Pare de fumar, pare de beber e volte daqui a trinta dias’.” Já deixei de fumar e de beber...
Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br