08 de julho de 2026

Mulheres em pânico


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Historicamente, as mulheres sempre foram tidas como subalternas aos homens. É difícil explicar essa submissão, ou sob o ponto de vista inverso, essa opressão exercida pelo homem. Mas é fato que as sociedades sempre colocaram os homens na condição de protagonistas. Talvez por uma questão de força física. Talvez por questões genéticas ou psíquicas, ou talvez até mesmo por uma mistura de tudo isso.

No entanto, quando a evolução tecnológica começou a acelerar a transformação dos costumes, diminuindo talvez a necessidade da força física e ratificando a razão como força motriz da história, as mulheres passaram a ocupar espaços mais nobres e relevantes. Aos poucos foram assumindo posições que por milênios estavam reservadas apenas aos homens. Com luta e determinação, combateram os preconceitos. Rasgaram e queimaram sutiãs, assumiram com mais liberdade sua vida sexual, invadiram o mercado de trabalho e ganharam mais autonomia em relação ao casamento e à maternidade.

Por sua vez, os homens cederam. Como talvez não vivam sem elas, resolveram apaziguar os ânimos e dividir seus espaços. Muitos, inclusive, perceberam que a igualdade em termos de direitos individuais, respeitadas as diferenças existentes entre os gêneros, era extremamente salutar para os relacionamentos.

Porém, há muitos que ainda não se acostumaram a essa igualdade. Presos ao anacrônico ideal de dominação pela violência, continuam assombrando a existência de algumas desafortunadas mulheres. E a julgar pela necessidade de existência da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), infelizmente parece que são muitos.

Em Franca, especificamente, esses casos ganharam notoriedade nessas últimas semanas, em função da chacina ocorrida no Jardim Portinari. Com medo de acabarem mortas, juntamente com suas famílias, muitas mulheres ameaçadas procuraram ajuda policial. Matéria publicada por esse Comércio no domingo, 18/12, mostra que o número de casos atendidos na semana seguinte à tragédia mais que dobrou em relação ao que é atendido normalmente na delegacia.

O medo parece ter tomado conta dessas mulheres. E não é para menos. Algumas ameaças se consumaram. E o pior é que as denúncias parecem não surtir muito efeito, pois dificilmente se pode colocar um policial ou uma escolta para cada uma das mulheres ameaçadas. Como seus algozes parecem resolvidos a tirar também a própria vida, ou não se importam muito com imposições da Justiça, elas acabam vivendo a angústia da constante ameaça.

A questão é realmente complexa, além de ser um retrocesso. Privar as mulheres de seu sagrado direito de terminar um relacionamento é um abuso que deveria estar enterrado de vez na lata de lixo da história.

Mas alguma coisa precisa ser feita. Talvez mudar rapidamente a lei, colocando esses homens imediatamente na prisão, ao primeiro sinal de ameaça ou violência. Quem sabe, na prisão, essa cômoda e covarde ‘macheza’ não pode ser um pouco acalmada.