09 de julho de 2026

A morte de Belmiro de Arruda Neto, aos 69 anos


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DESPEDIDA - Belmiro Arruda Neto foi sepultado ontem às 16 horas, no Santo Agostinho

Morreu na quarta-feira, 28, em acidente automobilístico próximo à cidade de Itumbiara (MG), Belmiro Arruda Neto, um dos implantadores em Franca da filosofia Cultura Racional “Universo em Desencanto”. Há anos, deixou a cidade e, após breve passagem por São Paulo, comprou terras para implantar um Centro de Cultura Racional. Recebeu, na propriedade, membros que também fixaram morada para a vivência do que chamavam de “realidade da vida”.

Segundo sua família, Belmiro viveu sempre “como quis e assim é que foi feliz”. Foi o filho ‘do meio” do respeitado advogado Antônio Arruda, e de Dinoraide Figueiredo Arruda, ambos falecidos. Deixou os irmãos Celene e o também advogado Daniel Arruda, casado com Adorama.

Cursou direito na Faculdade de Direito de Franca por “gosto do pai”. Formado, entregou-lhe o diploma a ele e continuou dedicado a curtir a vida, “a verdadeira razão de viver” segundo ele. Bem apessoado, talentoso para as artes, bom e divertido comunicador, construiu extenso círculo de amizades. Tornou-se figura carimbada da sociedade francana. Seu poder de convencer pessoas utilizou quando decidiu-se por viver a “Cultura Racional”. Atraiu grande número de seguidores. O ponto de encontro para divulgação da filosofia, era parte do calçadão da Rua Marechal Deodoro, esquina com a Praça Nossa Senhora da Conceição.

Nos anos 70 partiu para São Paulo, lá instalando mais núcleos do “Universo em Desencanto”. Incursionou pelas veredas e pelos bastidores das artes, especialmente o teatro. Integrou o elenco de Hair e chegou a merecer convite para atuar na Globo paulista, mas a vivência integral da Cultura Racional mudou profundamente seu comportamento.

Foi esta, aliás, a ocasião em que comprou terras nas imediações de Nova Friburgo e não saiu mais de lá. Vinha a Franca ocasionalmente, finais de ano a exemplo. Estava em Franca quando, com três amigos também ligados à Cultura Racional, iniciou viagem a Aparecida de Goiânia, para participar de encontro anual dos seguidores da Cultura. Saiu por volta de 8 horas. Às 15 horas, o carro que dirigia chocou-se com uma caminhonete e ele perdeu a vida. O corpo foi trasladado a Franca onde chegou às 6h30 horas de ontem. Sob cuidados da Funerária Francana, foi velado no São Vicente de Paulo. O sepultamento aconteceu ainda ontem, 16 horas, no Cemitério Santo Agostinho.

Deixou um filho, João, 35 anos, guitarrista no Rio de Janeiro. Belmiro será lembrado, segundo o irmão Daniel, como alguém “que viveu e morreu como queria. Sua felicidade se resumia nisso”.