O Corinthians – que nos anos 80 inovou com a “democracia” do Dr. Sócrates e hoje constroi seu novo estádio, – projetado especialmente para a Copa do Mundo – prepara, agora, caminho para a China. Até março deverá ter um chinês entre seus jogadores e, com isso, tornar-se-á o primeiro clube brasileiro a despertar interesse junto à emergente população chinesa, de 1,4 bilhão de habitantes.
É, sem dúvida, uma grande jogada econômica, pois a China “invade” o mundo com seus produtos industriais e negócios no mercado financeiro mas, em contrapartida, tem em seu território um mercado gigantesco e ainda inexplorado. Quem, com inteligência, chegar primeiro, tende a ganhar.
As mudanças liberalizantes do governo chinês – que continua comunista mas tem todas as características capitalistas – levaram aquele país a sacudir a economia de todo o mundo, exportando produtos a preços infinitamente menores do que os apurados nos outros países.
Os produtores de calçados, têxteis e brinquedos brasileiros sentem isso há anos. Mais recentemente o fenômeno também se registra na indústria automobilística e de maquinários. Os chineses chegam e desbancam os produtores locais ou os obrigam a buscar novos e mais produtivos métodos para manter a competitividade.
Em contrapartida, possuem o maior mercado do mundo, ainda virgem de muitos insumos ocidentais. O Corinthians é o primeiro brasileiro que se atreve a fazer o caminho inverso. Através de sua camisa, das placas nos estádios em seus jogos e da publicidade na transmissão, seus patrocinadores nacionais e até estrangeiros, vão desembarcar na China.
A partir do momento em que o campeão brasileiro tiver um jogador chinês no seu elenco, será motivo de interesse da população chinesa, visto que o futebol já é um esporte bem avaliado naquele país. Não devemos esquecer que o futebol brasileiro é pentacampeão mundial e isso valoriza qualquer jogador que aqui venha atuar.
Pelos canais da negociação não será difícil transmitir os jogos para o sistema chinês de televisão e de, através de esquemas internacionais, realizar jogos-espetáculo do Corinthians em território chinês, no mesmo esquema que Paul McCartney, U2, Lady Gaga e outros “pops” internacionais fazem no Brasil e ao redor do mundo.
Além de amealhar excelentes bilheterias, ainda faturam alto em publicidade e rendas vindas do meio eletrônico de transmissão. Com essa investida rumo ao Oriente, independente de ter ou não bons resultados, a diretoria corintiana dá um exemplo de atualização e modernidade.
Já está absolutamente provado o avanço chinês em todo o mundo. Então, para não ficarmos apenas no pólo negativo do negócio, temos de atuar nos diversos segmentos, também oferecendo nossos produtos ao mercado chinês. E, apesar de todos os contratempos e dissabores dos últimos anos, o futebol ainda é, com certeza, a maior grife brasileira.
Será, agora, colocada para chinês ver e, com uma boa administração, pode nos trazer boas divisas...
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo