08 de julho de 2026

Nova dose de veneno


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Cada pessoa já nasce com uma quantidade exata de tempo para viver. Ou a questão do fim não seria bem assim. A morte de cada ser não está marcada desde o nascimento. O número de dias de vida não vem estipulado. Tudo vai depender do comportamento individual e até social. Cada atitude pode servir de alongamento ou de encurtamento da existência?

Difícil saber. A própria vida é dicotômica, situa-se sempre entre dois pólos: começo e fim. A par disso, o tempo funciona como um nocivo agente catalisador da morte. Ampliando o raciocínio, cada novo ano tem o efeito de uma nova dose de veneno na existência de qualquer ser vivo. Não houvesse essa passagem entre o dia e a noite tudo seria perene.

Mas não é. O tempo está em ação. Cada segundo que passa nunca mais volta a ser repetido. Juntando 60 dessa mínima fração temporal nasce o minuto, que bem rapidamente se agrupa também em 60 e se transforma em uma hora.

Depois de 24 horas, vem outro dia. Em média, passados 30 dias, abre um novo mês. Num piscar de olhos, 12 meses se juntam. O ano acaba.

No entanto, nasce outro período. Daqui a 4 dias, 2012 entrará em órbita. O novo ano não será bom nem mau. Tudo depende das pessoas. Elas é que serão boas ou más no transcorrer dos 365 dias vindouros. Está nas mãos de toda pessoa o poder de fazer de cada destruidora parcela de seu tempo alguma coisa que valha a pena.

Aparentemente, o segundo, o minuto, a hora, o dia e até o mês não são valorizados. A sensação é de que passa rapidamente. Apenas cada ano entra na conta final de uma vida. Só que não pode ser bem assim a equação. Deve-se contabilizar a somatória da sucessão de acontecimentos. Porque é por meio da menor ação individual que se pontua uma existência.

Se bem comparado, metaforicamente o tempo é o mais infalível dos venenos. Ele se parece muito a uma poção mágica diluída, em forma de segundo, na taça chamada vida. Tudo vai se sucedendo naturalmente, sem pressa alguma. A pessoa pode fazer o que quiser. Não adianta nada. O tempo vai passando e um dia a morte chega.

Agora, o bom da vida é isto. Por ter duas vertentes, cada um faz dela o que quer. De pronto, todo mundo sabe que o tempo mata mesmo. A escolha então é individual. Quem adiciona tabaco, álcool ou outra droga qualquer e, acima de tudo, maus pensamentos (com consequentes más ações) à sua vida acaba por fortalecer a ação do veneno da temporalidade.

Eliminar o efeito do tempo é impossível. Pode-se tão somente retardar a sua incidência venenosa para a vida. O sonho e a fantasia de um Ano Novo melhor que este já moribundo, pode ajudar a suavizar os futuros dias de 2012.

De resto, ainda como agente combativo à malignidade do tempo, pode-se usar alguns sentimentos.

O amor, a simpatia, a colaboração e até a ambição (no bom sentido) são bons antídotos temporais. Experimente. Não custa nada!

Antônio Araújo
Articulista e professor - tonin.palavras@uol.com.br