O presidente e fundador da ONG Canastrazul de Delfinópolis, Oscar Ferreira Neto, acredita que caso a Serra da Canastra se transforme em um local de extração de diamantes, a cidade perderá um dos seus maiores bens, a água. O município é repleto de minas d’água e possui mais de 150 cachoeiras, segundo o Centro de Apoio ao Turista da cidade. No local onde foram feitas as primeiras perfurações para pesquisa, é possível ver água a menos de um metro de profundidade.
Neto diz que a população não tem informações sobre o cenário de ameaça existente e os danos que podem ser causados ao meio ambiente. “Ficamos sabendo em meados de outubro que uma reunião em Brasília discutia a diminuição do Parque da Serra da Canastra e excluía áreas para a mineração. Desde então começamos a nos movimentar, mas a população ainda está desinformada, não sabe o que está acontecendo.”
Para o defensor do meio ambiente e consequentemente da Serra da Canastra, a exploração do minério poderá destruir totalmente uma biodiversidade e secar a água existente na região. “Aqui é uma fonte de riqueza inesgotável, há inclusive interesse de exploração da água, pois temos um bem de primeira qualidade que pode ter propriedades minerais. Não podemos desprezar essa água a troco de um punhado de diamantes. Antes a água que o diamante.”
Segundo Neto, o trabalho da ONG nos próximos meses consistirá em exigir dos deputados e senadores que defendem a extração de diamantes da serra um estudo de impacto ambiental avançado e um relatório para mostrar o que há no subterrâneo e a forma como será feita a exploração.
“A escavação que a mineradora fará parece ser gigantesca em proporções quilométricas, então queremos provas de que não causará danos ao meio ambiente.”