08 de julho de 2026

Paz. Paz?


| Tempo de leitura: 4 min

Fim de ano, deveríamos nos desarmar, viver só a alegria do renascimento do conceito de Deus conforme o concebemos e, estimular a paz entre os homens

Mas não. Vizinhos meus têm usado as últimas semanas para instalar mais sistemas de segurança em suas casas – lugares que, por preceito constitucional deveriam ser garantidos pela segurança pública como último bastião do cidadão. Alarmes, cercas elétricas, espetinas, cacos de vidro, pregos e outros quetais sobre muros, além de grades(!) têm feito a alegria dos instaladores. Aos contratantes, resta a expectativa que, literalmente presos, possam se ver livres da ação dos desocupados que andam por ai livres, leves e soltos.

É grave e pode ficar pior, já que os legisladores que elegemos continuam parindo abrandamento nas leis para esvaziar presídios e cadeias dos que chamam de “agentes de crimes menores”. Para os políticos, em seus escritórios refrigerados e cuidados por equipes de segurança particulares pagas com o nosso dinheiro, quem pratica ‘crimes menores’ não pode ficar preso, ocupando a vaga de quem for condenado por crimes pesados. Ora! Quem furta, rouba, zomba do sistema, ameaça vidas, trafica e arrebenta com a sociedade, não é criminoso que se deva tirar do convívio social? Segundo o que legisladores leigos em Direito pensam e este País hoje estimula, nada disso é tão grave assim.

Certos de que não serão punidos com cadeia e logo estarão livres, pululam os “pequenos bandidos” a infernizar tudo e a todos. A atestar o erro crasso que estamos cometendo, sob a hipótese do “crime de menor poder ofensivo” produziram-se tragédias, este ano. Houve até “democracia’: assaltaram a casa de juiz (e foram pegos) e a de gente muito simples (a maioria não foi pega). Desgraçaram vidas ao levar o produto de anos de suor, sonhos duramente realizados e implacavelmente, destruídos. Encostaram armas na cabeça de jovens, mulheres, crianças. Entraram para roubar e estupraram, odiosamente dizendo depois, que as mulheres se oferecem. Os “pequenos bandidos” matam e aleijam, mas é “acidente”: “eu não tenho culpa. Só entrei para roubar, mas eles reagem. Têm que ficar quietos(!)” A falência visitou com igual desrespeito pequenos e grandes negócios, promovendo depressão, descrença.

Os “amigos do alheio” – como os chamava meu amigo Guido Bettarello, o eterno delegado – estão por ai, multiplicando-se feito coelhos e ‘de acordo com a lei”. A arrogância, filha da impunidade, torna-se marca. Contou-me um de meus vizinhos, sobre três desses – andam em grupinhos, um dando força ao outro, “fazendo escadinha para pular muro” ou ajudando a “estourar portões eletrônicos aqui e ali” – que o seguiram por dias. Percebidos, passaram a encará-lo. Assim, ó, sem vergonha, sem medo, sorriso cínico na cara.

Viram meu vizinho pegar o celular e ligar. Levantaram-se. Foram em direção a ele e passaram. Viraram na esquina. Foram seguidos e pilhados enquanto forçavam portão eletrônico. A polícia apontou na rua. Desapareceram, como em passe de mágica. Meu vizinho tem medo. Quem não teria?

Os índices de ocorrência crescem nos finais de ano. Os órgãos de segurança, que deveria dar tranquilidade à população, só tentam cumprir seu papel de prevenção. Anunciam que população tem que se manter vigilante. Sabemos. Temos que ter olhos por nós... e por eles...

Não dá prá saber o que é pior, sair de casa e deixar tudo para os “visitantes” que entram apesar de todos os cadeados; ou não sair e enfrentar a ferro e fogo. (Tenho recebido sinais de que cresce o número dos que querem usar as próprias mãos para garantir sua segurança. Que não prospere esse pensamento. A arma necessária não é a de grosso calibre. É a do voto cidadão e inteligente!).

Recomendo a você tomar cuidado quando desejar feliz Natal e próspero Ano Novo a alguém. Fale baixo e não agregue detalhes sobre sua vida pessoal. Pode ser que alguém, ouvido em pé, use a informação para “presentear-lhe” com uma visitinha, com as bençãos da lei...

NÃO DOE. DESTINE!
Dia 29 é o último dia de abertura de bancos, este ano. Depois, só em Janeiro. é também, o último dia para que você, que paga Imposto de Renda, destine – veja bem: eu disse “destine”, e não, doe – dinheiro que mandaria para o governo federal, à instituição filantrópica de sua preferência. Se todos os francanos físicos ou jurídicos assim fizessem, cerca de R$ 4 milhões(!) tomariam o rumo dos caixas de entidades locais e seriam aplicados em projetos que melhorariam a vida de – quem sabe – boa quantidade desses que perambulam pela cidade se drogando, furtando, roubando e matando sem eira nem beira. Agir é simples: peça a seu contador que direcione o percentual permitido do que você iria enviar ao Leão, para o projeto de sua preferência. Só vale aos finais de ano e só vale, portanto, até dia 29 deste mês. Faça sua parte!

NATAL E ANO NOVO
Agradeço e retribuo votos pessoais de Natal e Ano Novo recebidos de Jorge Sequi Neto, diretor da Seleta e Leão Engenharia; Iroá Nogueira e seu pessoal do Sebrae de Franca; Lucely Bertelli, do CCAA; Láercio Barbosa, da Usina Jussara; João Batista Lima, da Francal Feiras e Estrutural Empreendimentos; Roberto Lima, presidente da Vivo; Instituto Rio Branco, do Ministério das Relações Exteriores; Lúcia Brigagão, colunista deste Comércio, sempre gentil e presente; Tiago Faggioni Bachur e Fabrício Vieira, advogados e articulistas; vereador Oscar Mércuri; Sociedade Brasileira de Coaching.

Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br