Reportagem de Marco Felippe e Nelise Luques
Na antevéspera do Natal, a geladeira na casa da cabeleireira desempregada Vanessa de Sousa Silva, 31, e de seis filhos, armazenava apenas algumas cabeças de cebola, dentes de alho, leite, manga e pêssego. O desejo das crianças era ter carne, iogurte e principalmente “batata de pacotinho” na ceia da noite de hoje. A família mora na Vila São Sebastião e faz parte de uma triste realidade. Ela integra o grupo de 3.639 francanos que vivem na linha da extrema pobreza e tentam sobreviver com menos de R$ 70 por pessoa no mês.
O secretário de Ação Social de Franca, Roberto Nunes Rocha, confirma os dados do Censo 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), que revelam existir no município mais de 3.600 francanos vivendo na miséria. Esse total representa 1,1% da população. O número de Franca é menor que o da região (1,5%) e que do Estado (2,6%), mas a angústia de quem vive em situação de extrema pobreza vai muito além da frieza dos números.
Com o congelador vazio, na tarde de ontem Vanessa ainda não sabia o que teria para alimentar os filhos na noite de hoje. “Meus filhos pequenos vão ficar aqui em casa comigo e os mais velhos vão para a casa dos meus parentes em Ituverava. Não tem como ir todo mundo.”
Vanessa tem renda de R$ 435 - quando o ex-marido paga os R$ 100 da pensão dos filhos. Ela mora numa casa alugada com seis crianças de 2 a 13 anos. Disse que sofre de problemas psiquiátricos e por isso não pode trabalhar.
Seu sonho é ter o próprio salão de beleza e dinheiro suficiente para comprar o que os filhos pedem e os presentes que tanto desejam: bicicletas e bonecas. “Gostaria de dar um presente para cada um dos meus filhos. Hoje eles pedem e eu não tenho condições de passar nem na porta de uma loja”, disse Vanessa.
O endereço de Vanessa é Rua Manoel Francisco de Melo, 940, na Vila São Sebastião. O imóvel é alugado e se encontra em situação precária. Vanessa pretende se mudar com a família, mas não encontra avalista para fazer uma nova locação.
SOLIDARIEDADE
O secretário Roberto Nunes Rocha disse que o poder público tem obrigação de suprir as necessidades básicas das pessoas e esse é um direito dos cidadãos. “Atendemos a comunidade o ano todo e acredito que no Natal a situação dessas famílias será amenizada pelas ações das igrejas, empresários e anônimos que certamente farão doações de cestas básicas.”