08 de julho de 2026

A campanha continua


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Escrevo com a intenção de dar uma satisfação tanto às pessoas que confirmaram participação na campanha “vôos regulares entre Franca e Guarulhos” quanto à opinião pública em geral que soube dessa movimentação pela mídia.

A inexistência de vôos regulares saindo e chegando a Franca, depois de algumas experiências fracassadas no passado, sempre teve como explicação aceita o argumento de que a cidade não é capaz de sustentar esse tipo de serviço no seu aeroporto. Em suma, Franca não teria público. Essa resposta sempre me inquietou e nunca me convenceu, especialmente diante dos avanços pelos quais passa nossa cidade nos últimos anos, algo por todos, reconhecido.

Lançamos a campanha no Facebook em 15 de novembro passado e também disponibilizamos um email para adesão. A campanha durou apenas um mês. O resultado parcial, em 15 de dezembro, mostrava a adesão de mais de 1000 pessoas. Além disso, apenas no Facebook a campanha entrou em contato com mais de 3000 pessoas. Todos os números são expressivos, merecem reflexão e indicam que a população de Franca, notadamente pequenos e médios empresários, professores, médicos, advogados, assim como profissionais de diversas áreas e, em especial, o cidadão comum, acalenta grandes expectativas de que o aeroporto da cidade passe a funcionar com vôos regulares.

Algumas pessoas chegaram a manifestar grau de ansiedade notável e perguntavam: “quando vai começar”?! Outras se manifestavam de maneira mais eloquente: “Não agüento mais ir até Ribeirão Preto pegar vôos para São Paulo”.

Boa parte dos que aderiram, tinham opinião formada quanto ao horário dos vôos e sugeriam até mesmo outros aeroportos a serem utilizados, além de Guarulhos.

Assim, uma funcionária da Danone (com toda a família morando em Franca) afirmou ser “um absurdo uma cidade referência em exportação de calçados não ter um aeroporto com vôos ativos para São Paulo, Rio de Janeiro, BH, Brasília e Curitiba”. A polêmica a respeito do aeroporto de destino foi permanente. Alguns aderentes à campanha vocalizavam por Congonhas e outros, mencionando uma companhia aérea que não havia sido incluída como opção, a Azul Linhas Aéreas, entendiam que Viracopos, em Campinas, poderia ser uma segunda opção, válida e de perspectiva para o futuro.

A questão do aeroporto de destino é, como se sabe, problemática. As operações em Franca devem captar os passageiros que se destinam não apenas a São Paulo. Assim, isso permanece questão em aberto. Da mesma forma, o problema de Franca ser início e final de uma rota ou uma escala de uma rota mais longa, como Brasília ou mesmo Uberlândia ou Uberaba.

A campanha comprovou que, em tese, Franca tem público para a implantação de vôos regulares. Penso que as companhias aéreas devem ficar atentas e olhar com mais carinho para o mercado potencial de Franca e região. A campanha assume agora uma nova fase: a montagem de um portfólio de empresas e instituições públicas e privadas em seu apoio, como expressão do envolvimento integral da comunidade. O que buscamos é que Franca decole definitivamente para o desenvolvimento.

Alberto Aggio
Professor de História da UNESP/Franca