08 de julho de 2026

A lei do outdoor e a flexibilidade


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Em função dos contratados assinados antes do decreto baixado pelo prefeito Sidnei Rocha, em 17 de agosto desse ano, que impõe uma nova dinâmica para a montagem e distribuição de outdoors na cidade, algumas empresas do setor solicitaram que o prazo fosse estendido até 1º de fevereiro de 2012.

Tanto a solicitação, quanto a concordância do prefeito são bastante razoáveis, pois já é sabido por todos que muitas empresas, de olho nas festas de final de ano, já haviam reservado (e pago) os melhores pontos de outdoor para exibirem seus produtos e suas marcas. Portanto, vale a flexibilidade de atender ao pedido justificado.

Mas que essas solicitações parem por aí. Mesmo considerando o impacto que essa nova determinação está trazendo para as empresas, já que em um primeiro momento suas margens de lucro deverão ser afetadas, é fundamental que pensemos na paisagem urbana e na importância de um visual mais limpo para nossa cidade.

Como já dissemos nesse espaço, a paisagem urbana tem um relevante valor ambiental, relacionando-se diretamente com a qualidade de vida e com o bem-estar da população. No ambiente cada vez mais urbano em que vivemos, essa paisagem acaba se tornando a roupagem que se apresenta aos olhos de seus cidadãos e seus visitantes. Se essa roupagem for de boa aparência, com certeza seus efeitos psicológicos sobre a população serão positivos, equilibrando a carga neurótica que o cotidiano das cidades insiste em nos impingir.

E é bom lembrar também que esse projeto era bem mais abrangente, quando apresentado há cerca de 2 anos. Na época, sua proposta era limpar a cidade de todo o tipo de anúncio produzido por meio de faixas, banners e cartazes.

Porém, diante da pressão exercida por empresários do setor, a Prefeitura recuaou, limitando-se aos outdoors. Um recuo estratégico e acertado, diga-se de passagem, pois para se evitar conseqüências drásticas e injustas, as mudanças em uma sociedade não devem ser tão radicais.

Quando mais lentas, elas tendem a ser mais facilmente assimiladas. Nesse sentido, é de se esperar que os empresários do setor de outdoor aproveitem esse tempo e comecem a buscar novas formas de expor seus clientes, talvez convergindo para o mobiliário urbano, tão pouco utilizado no Brasil, mas bastante presente nas principais cidades européias, todas elas bem mais limpas, agradáveis e acolhedoras que nossas poluídas capitais.

É preciso lembrar que ao despoluir visualmente a cidade, os mobiliários ganharão automaticamente mais relevância. Mesmo sendo pequenos e aparentemente mais ‘acanhados’ do que os enormes outdoors, com certeza passariam a chamar mais a atenção das pessoas, caso a cidade estivesse mais limpa.

Dessa forma, todos sairiam ganhando. As marcas e os produtos continuariam expostos. As empresas de comunicação continuariam vendendo seus espaços. A cidade ficaria mais limpa e nossos sentidos mais agradecidos.