Procuram-se médicos. Este seria um bom anúncio para resolver o problema da rede municipal de saúde de Franca. Segundo a secretaria de Saúde, os 266 médicos registrados até o mês passado no quadro do SUS (Sistema Único de Saúde) não são suficientes para atender a população de 318.640 habitantes. Para que as necessidades do município sejam sanadas, pelo menos mais 80 médicos devem ser contratados. Mesmo com um concurso público e dois processos seletivos realizados neste ano, a Prefeitura não conseguiu atingir a meta e pacientes já começam a esperar por consultas. Um terceiro processo seletivo está em curso.
Segundo Alexandre Ferreira, secretário de Saúde de Franca, a maior carência está na área de urgência e emergência. Áreas de especialidades, como neurologia, neurocirurgia e psiquiatria infantil, também sentem a falta de médicos. O secretário afirma que a dificuldade está em preencher as vagas dos concursos. “Realizamos em fevereiro de 2011 o último concurso público, porém, devido à premência, já efetuamos dois processos seletivos: em julho e em outubro de 2011. Todos os aprovados e selecionados foram chamados para contratação, no entanto, um número considerável não assumiu o posto.”
Enquanto “caça” médicos, a Prefeitura vê crescer o número de consultas. Entre 2005 e 2011, houve um acréscimo de 33% no número de atendimentos realizados nas unidades públicas de saúde. De 834.557 consultas efetuadas em 2005 - quando eram 268 médicos -, o número já ultrapassou a marca de 1 milhão neste ano. “É preciso considerar o aumento da população e a mudança de comportamento dessa, principalmente no quesito saúde: existe uma maior procura pelos serviços da rede pública”, disse Ferreira, complementando que também aconteceram demissões e aposentadorias no mesmo período.
Para Ferreira, prestar um concurso não significa ter disponibilidade para assumir a vaga. “Normalmente os médicos, mesmo os mais jovens, possuem outros empregos, que conseguem cumprir adequando horários. A Prefeitura tem algumas regras necessárias ao seu funcionamento, e estas são apresentadas aos profissionais quando da sua convocação para assumir um posto de trabalho. São unidades que já têm horários vagos pré-definidos e agendas a serem cumpridas que nem sempre coincidem com a disponibilidade do médico.” O secretário disse ainda que os salários também não são problema, porque os valores são destacados nos editais dos concursos.
Enquanto isso, os esforços acontecem no sentido de estender a carga horária dos profissionais registrados e dobrando o vínculo empregatício de 20 para 40 horas semanais.