No final de maio, foram entregues as casas do Prolongamento do Santa Bárbara. Aparentemente apressada, essa entrega suscitou algumas interrogações, que permitiam inferir certo envolvimento político nessa questão. Na época, parecia claro que a entrega priorizava a presença do governador Geraldo Alckmin. Talvez em função disso, as casas foram entregues com vários problemas. Matéria publicada por este Comércio na terça-feira, 31/05, mostrou que a maioria das 72 novas casas estava sem água, esgoto e energia elétrica. Além disso, algumas estavam sem torneiras ou encamento nas pias, sem aquecimento solar e com muros ainda em construção.
A lógica linear simples nos ensina que algo só pode (ou deve) ser entregue, ou mesmo vendido, se estiver pronto e acabado. Quando se trata de uma casa, então, o que dizer? Para abrigar famílias, deveria, dentro dessa mesma lógica, oferecer todos os atributos que envolvem a funcionalidade e a segurança de uma casa.
No entanto, em política, a lógica não é tão linear quanto deveria ser. Na maioria das vezes, não é o cidadão que se vale do Estado, mas justamente o Estado que se aproveita do cidadão, geralmente daqueles mais desinformados e humildes.
Prepara-se uma sessão oficial, eleva-se o tom emocional dos hábeis discursos e o governador faz a entrega oficial. Nesse ato, festeja-se as glórias que uma entrega do porte representa. Porém, passada a festa, os problemas que viessem não encontrariam mais as autoridades, nem tampouco a solução no tempo preciso.
E de fato, pouco mais de seis meses depois, parece que os problemas chegaram.
Se já não bastassem a chuva, que insiste em inviabilizar as ruas ainda sem asfalto do bairro, os moradores do Santa Bárbara estão sendo obrigados a conviver com problemas de estrutura que já se anunciavam na época. São rachaduras, goteiras e outros problemas estruturais. Alguns forros estão ameaçando cair. As casas estão se enchendo de água e apressando a deterioração dos móveis.
Obviamente, nenhuma autoridade irá voltar ao bairro para explicar o inexplicável. Essa obrigação ficará a cargo dos técnicos e de outros funcionários, que serão obrigados a repetirem as mesmas desculpas de sempre. E a solução, obviamente, se arrastará por algum tempo.
Dentro desse contexto, seria interessante uma mudança de estratégia por parte dos moradores. Ao invés de continuar reclamando com nossas autoridades, talvez fosse melhor investir em velas e orações para Santa Bárbara que, coincidência das coincidências, é considerada a protetora contra chuvas e tempestades. Crenças e ironias à parte, está mais fácil acreditar que a Santa possa atenuar a força das chuvas do que imaginar que o poder público solucione esses problemas antes que as águas de março fechem mais um de nossos verões.