Entre aqueles que não gostam do Natal, ou pelo menos não o vivenciam com tanta euforia e animação, está o professor de história da UFTM (Universidade Federal do Triângulo Mineiro), Tito Flávio Bellini. Apesar de se dizer agnóstico (pessoa que não acredita nem descrê na existência de um Deus), ele é uma daquelas pessoas que aproveitam as festividades para se reunir com a família. Com uma concepção de vida cristã, ele gosta do momento, mas não das feições que a festa adquiriu. Por sua formação historicista, faz duras críticas à excessiva comercialização da festa. O presente, que era simbólico na explicação bíblica dos Reis Magos, virou concreto. Vale pelo que custa, não pelo que significa.
“As pessoas acentuam a sua fraternidade e a sua religiosidade no Natal. Ou não percebem que estão envolvidas em um clima mais mercadológico que espiritual ou são hipócritas, porque depois que passa volta tudo ao normal.”
Nessa mesma linha de raciocínio, uma católica que pediu para não ser identificada porque não queria estragar o Natal de sua família também acredita que há muita hipocrisia e falsidade nas comemorações natalinas. Para ela é um tédio ter que passar pelo cerimonial de cumprimentos e abraços, desejando várias coisas para pessoas que pouco vê e que com as quais não tem afinidade.
Já a aposentada Nadir Bombonato diz que prefere ficar sozinha no Natal. Ela afirma sentir saudades da ilusão do tempo em que era criança e ficava ouvindo as músicas que sua mãe colocava para ela e os irmãos.