10 de julho de 2026

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ALVOS DA CEMIG - Vista de ranchos na margem da represa de Jaguara, no município de Rifaina

Acusados pela Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) de ocupar terras já desapropriadas e ameaçados de sofrer ações judiciais, donos de ranchos e propriedades às margens da Represa de Jaguara, nos municípios de Rifaina (SP) e Sacramento (MG), estão revoltados. Eles afirmam que, ao contrário do que diz a empresa, não são invasores e têm escritura registrada em cartório, além de recolher todos os impostos referentes aos seus imóveis.

Luiz Antônio Bazalha tem um rancho em Sacramento e soube da intenção da Cemig de ingressar na Justiça para reaver terras que, segundo a companhia, teriam sido invadidas. A medida afetaria cerca de 450 propriedades no lado mineiro.

“Fiquei chocado. Nunca soube que meu rancho ou qualquer parte dele pertencesse à Cemig. Eu lutei muito para conseguir comprá-lo. Tenho a escritura registrada no Cartório de Sacramento faz 12 anos. Recolho todos os impostos em dia. Cuido melhor do meu rancho que da minha casa em Franca. Como posso ser chamado de invasor? Isso para mim é um absurdo.”

Ele disse que nunca recebeu comunicado da empresa sobre qualquer tipo de irregularidade. “Não recebi nada, nem um comunicado, carta ou coisa parecida que tratasse desse assunto. Estou preocupado. Sei que tenho meus documentos em dia e regulares, mas mexer com Justiça é sempre uma dor de cabeça.”

Donizete José Teixeira é dono de um rancho em Rifaina há 13 anos e também se disse preocupado. “Não recebi nenhuma notificação, mas essas notícias mexem com a gente, tiram o nosso sono. Eu tenho toda documentação registrada e em dia. Não invadi nada de ninguém. Eu paguei para ter esse imóvel. Foi tudo legalizado”, disse o rancheiro.

José Augusto Contes Jacinto, presidente da Associação de Rancheiros da Jaguara, disse que foi procurado pela Cemig no começo deste ano para tratar do assunto.

“Eles me chamaram em Uberaba para falar sobre essas áreas. Não disseram quantas propriedades seriam afetadas nem me passaram detalhes, mas me pareceram abertos à negociação. Acho que, antes de qualquer coisa, o melhor é esperarmos e nos unirmos. Quanto mais unidos estivermos, mais forças teremos na negociação de qualquer questão”, disse Jacinto.

O prefeito de Franca, Sidnei Rocha, que também tem um rancho em Rifaina, foi outro que se mostrou surpreso com a ameaça da Cemig.

Durante toda a última sexta-feira a reportagem do Comércio da Franca tentou ouvir a Cemig sobre as ações contra os rancheiros da Jaguara, mas nenhum dos sete telefones disponibilizados pela assessoria de imprensa da empresa foram atendidos.