08 de julho de 2026

Papai Noel do centro espera de presente de Natal uma casa própria


| Tempo de leitura: 2 min
NO CENTRO - Carlos Alberto Serafim Oliveira: divorciado, ele lamenta passar o Natal sozinho, sem os filhos e netos

Entrar na casinha do Papai Noel significa entrar no mundo da fantasia. O clima natalino, a decoração, as luzes e, claro, o “bom velhinho” são um convite para sonhar. E até o protagonista desse mundo mágico tem seus sonhos. Por trás da roupa vermelha, da bota preta e da barba branca, algumas naturais e outras postiças, há homens maduros e vividos, que durante poucos minutos de conversa se revelam pessoas sensíveis e especiais que também tem pedidos para Papai Noel.

“Se eu encontrasse o Papai Noel pediria uma casa para morar porque pago aluguel”, diz o sapateiro aposentado Carlos Alberto Serafim de Oliveira, 54, Papai Noel da casinha do Centro de Franca.

Divorciado, Oliveira tem filhos e netos, mas mora sozinho. Ele incorpora o Papai Noel há três anos e desde 2010 difere dos seus companheiros de profissão pela barba natural, que raspa no dia 27 de dezembro e passa o ano deixando crescer. O resultado, aliado aos olhos azuis e óculos, é uma aparência serena e convincente. Nesta época, Oliveira trabalha escutando sonhos na casinha do Centro das 13 às 22 horas, durante a semana, e aos sábados, das 9 às 18 horas.

Depois dessa jornada, ele ainda entregará alguns presentes na noite de Natal. Oliveira gosta da data, mas não comemora. “Porque eu moro sozinho com Deus e Nossa Senhora Aparecida”, fala, sem conter as lágrimas. “Meus filhos vão para a casa da mãe. Fazer o quê?”

Apesar dessa solidão, ele envia uma mensagem de Natal otimista às famílias francanas: “Que todos sejam felizes, que não haja muita briga, só paz e muito amor”.

SHOPPING
“Não tenho sonhos. Nunca tive nada de mão beijada, venho de família pobre e na infância não comemorava Natal, não ganhava brinquedo porque tinha seis irmãos e às vezes só o meu pai trabalhava. Fui saber o que era Papai Noel depois de me casar”, revela o garçom e comunicador visual Antônio Reis Pereira, 57, que encarna o Papai Noel do Shopping do Calçado.

Casado, com filhos e netos, ele recorda que a primeira vez que incorporou o personagem foi em 1987, em sua cidade natal, Cássia (MG). Pereira atua profissionalmente como Papai Noel há quatro anos.

No Shopping do Calçado, ele atende em média 120 crianças por dia, das 14 às 22 horas. No currículo, tem muitas histórias emocionantes para contar. Quando questionado sobre um pedido inusitado, ele não consegue conter o choro. “Na semana passada, um menino que veio com a turma da escola me pediu material escolar”, disse, com a voz embargada e lágrimas nos olhos.

Pereira acredita que o Papai Noel representa a esperança para crianças e adultos. Seus votos: “Desejo para todos paz e saúde porque quem tem isso não precisa de mais nada.”

A reportagem tentou ouvir o Papai Noel do Franca Shopping, mas a empresa que o contratou não autorizou a entrevista.