09 de julho de 2026

Vargas diz que Hélio Rubens está ultrapassado e deveria ser demitido


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TOCO - José Vargas defende mudanças drásticas no Franca Basquete: ‘Quando os resultados esperados não chegam, o primeiro a dançar tem que ser o técnico’

José Vargas, 48, tem muita bagagem para falar sobre basquete. Foram 28 anos atuando em competições oficiais. No currículo, soma muitos títulos. Ele mesmo perdeu as contas. Se lembra de quatro brasileiros, dois sul americanos e de um vice campeonato mundial de clubes. Foi em 1999, quando defendia o Vasco da Gama. Perdeu a decisão para o Sun Antônio Spurs, time da NBA. Não é à toa que se transformou num dos maiores ídolos de Franca, berço desse esporte no País. Cinco anos após se retirar das quadras, ainda é parado com frequência nas ruas pelos torcedores e ouve pedidos para voltar a jogar.

José Vargas nasceu na República Dominicana e chegou ao Brasil em 1994. Antes, havia atuado em equipes de Porto Rico, França, Itália e Israel. Seu primeiro clube no País foi o Franca Basquete, onde em pouco tempo conquistou a exigente torcida. Foi bicampeão brasileiro pelo então Marathon/Franca (1997/98) e no ano seguinte transferiu-se para o Vasco, onde continuou conquistando títulos. “Considero o vice mundial o mais importante, pois deu uma grande repercussão para o basquete brasileiro no exterior.” Depois de uma rápida passagem pela Venezuela, voltou para o Brasil, jogou pelo Uberlândia e retornou a Franca. Encerrou a carreira de jogador em 2006, quando tinha 42 anos. “É aquela história: quando um não quer, dois não brigam. Eu queria continuar jogando. A diretoria queria, os jogadores queriam, mas o Hélio Rubens não quis. Ele se sentia ameaçado pela minha pessoa. Ele não aceita ser contestado.”

A família de Vargas mora no Estados Unidos, mas ele decidiu continuar em Franca após se retirar das quadras. Constituiu família na cidade e casou-se pela segunda vez. É pai de três filhos. Ele possui duas fazendas em Minas Gerais, onde cria gado e planta café e eucalipto.

Vargas é naturalizado brasileiro e pode concorrer a cargos eletivos. Disputou as eleições para vereador em 2008 e recebeu pouco mais de 800 votos, número insuficiente para se eleger. Avalia a possibilidade de se candidatar novamente no ano que vem. É filiado ao PPS, partido que apoia o prefeito Sidnei Rocha (PSDB). Ocupa o cargo de diretor de esportes.

Vargas só não está feliz com a atual situação do Franca Basquete. Com a mesma firmeza que atuava no garrafão, este ex-jogador que tem 2,08 m de altura e calça 49 não faz rodeios ao apontar o culpado pela crise enfrentada pelo time que move paixões em Franca: o treinador Hélio Rubens.

Comércio -Como você analisa o atual momento do Franca?
Vargas -
O Franca Basquete passa por um período difícil. Normalmente, quando uma equipe profissional passa por esta situação, você olha para a parte financeira. Aqui, em Franca, não é o caso. A cidade está ajudando, o município ajuda muito e o time tem um patrocinador firme, grande e comprometido com o clube até 2014. Há empresas fortes da cidade, como a Amazonas, ajudando, além da torcida, que é a maior patrocinadora do clube. Acredito que a crise se deve à falta de trabalho visando o futuro. No esporte, é preciso trazer novos talentos e planejar o futuro. Franca não fez isto. Está faltando renovação, sangue novo na direção do time. O Franca é um clube com uma diretoria executiva, mas parece que é uma entidade com um dono. Isto, não é bom para o clube.

Comércio - Quem é o dono do time?
Vargas -
Não me atreveria a falar um nome, mas da forma com que o time se comporta, parece que tem uma pessoa ou uma família que dita as cartas, que determina o que vai ser feito. Por exemplo: há vários anos, o Franca vem treinando, começando as competições sem um preparador físico. Hoje, esta situação não cabe em nenhum esporte de alta competição. Não é um técnico que tem que decidir tudo. É preciso uma comissão técnica, onde várias pessoas se encarregam de uma área. O técnico coordena esta equipe. Franca não tem esta filosofia. Por isto, o time está ficando ultrapassado, está ficando para trás. Alguém dentro da comissão técnica acredita naquela jeito mais antigo, onde uma pessoa só faz tudo. Eu me atreveria a dizer que a falta de um preparador físico é a razão de muitos atletas estarem se machucando.

Comércio - Quando você diz que o basquete de Franca tem dono, está se referindo à família Garcia?
Vargas -
Não quero mencionar nomes, não quero falar dos Garcia, mas é claro que o basquete de Franca tem um comando. Não é o executivo que comanda. Esta situação atrapalha o time.

Comércio - Você defende a saída do técnico Hélio Rubens?
Vargas -
O Hélio Rubens deu uma grandíssima contribuição para o Franca Basquete. Nós não podemos deixar de reconhecer e acredito que a população francana toda reconhece isto. Mas, como falei no início da entrevista, tudo é renovação. O Steve Jobs [fundador da Apple] deixou para nós que o segredo do grande administrador é entender quando é a hora dele ser substituído, dele mesmo dar o espaço ao novo. Acho que a hora do Hélio Rubens passou, está passando. Acredito que o Hélio Rubens está fazendo um mal imenso à história que ele mesmo construiu aqui no Franca Basquete, no basquete nacional. Tem uma tendência de, às vezes, querer falar: “É este ou aquele que vai me substituir”. Não pode ser deste jeito. Tem que ser um processo natural, normal que vai determinar quem será o seu substituto. Está na hora de haver uma renovação na comissão técnica.

Comércio - O Hélio Rubens tem problemas com o elenco?
Vargas -
É claro que tem problemas. O estilo dele de pegar o elenco na mão funcionava nos anos 90, começo de 2000. Hoje, não funciona mais. Os jogadores se profissionalizaram muito. O jogador é pago para resolver os problemas dentro da quadra, no jogo. Hoje em dia, você não pode enfiar o jogador no meio do canavial e mandar ele correr três quilômetros. Antes, a gente fazia isso tranquilo. Hoje, o respeito pelo técnico é dentro da quadra. Fora, ele é uma pessoa como qualquer outra. Acredito que o elenco não aceita a visão do Hélio Rubens. Isto, não é de hoje. Franca tem patrocinadores fortes, estrutura e tradição, mas não consegue trazer novos talentos, nem segurar os que estão na equipe. Temos os exemplos do Dedé, do Benite e do Rogério. O fiel escudeiro de Hélio Rubens por muitos anos foi o Rogério, mas ele não quis ficar mais. Ele não vai dizer isto em entrevistas, mas se cansou da filosofia do técnico.

Comércio - A saída do Babby tem relação com esta filosofia?
Vargas -
Quando o Babby foi contratado, se sabia que era um jogador diferenciado tecnicamente, mas que tinha problemas psicológicos sérios. Isto, era claro para todos. Era preciso trabalhar estes problemas. O acompanhamento não foi feito. Não funciona mais dar esporro em jogador que está ganhando R$ 20 mil, R$ 25 mil. Muitos jogadores não aceitam isto. Por isto, os estrangeiros são os primeiros a partir para a discussão com o técnico. Se um jogador falta com a disciplina ou no coletivo, você multa no bolso. Não tem que bater boca com jogador. Só tira a autoridade do técnico.

Comércio - O estilo do Hélio está atrapalhando o time?
Vargas -
Não diria que está atrapalhando o time. Está atrapalhando o desenvolvimento, a formação. Está dificultando a continuidade da tradição do Franca Basquete. Nossa tradição não é de apenas participar de campeonatos. A tradição que eu aprendi aqui em Franca é de trazer alegria para a cidade. E para trazer alegria é preciso ter um time competitivo, de igual para igual com os melhores. Esta, é a tradição que devemos lutar para manter. Têm muitas pessoas que passaram por momentos difíceis na diretoria e não são reconhecidas aqui na cidade. Isto me dói. Me dói muito no peito quando o Nelsinho Salomão assumiu a direção num dos momentos mais difíceis, sem patrocinador e desacreditado. O Tadeu Biondi pegou o time com um pouquinho que tinha da Unimed e foi ganhar campeonato. O Odorico Barbosa é um grandíssimo administrador da Jussara e não deram nem a oportunidade dele administrar o Franca Basquete. Estas coisas doem, machucam. E este comportamento é o que, aos poucos, vem atolando o time na situação em que se encontra hoje. É melhor falar a verdade do que ficar enganando a população.

Comércio - Qual é a verdade?
Vargas -
A verdade é que o Hélio Rubens está ultrapassado. O Teixeira foi desmentido quando falou que o técnico iria se aposentar no fim do ano. O presidente do clube ser desmentido... Se não quer sair, se não está dando resultado, tem que demitir.

Comércio - O presidente deveria ter demitido o técnico?
Vargas -
Pelo que é tradição no esporte, a responsabilidade do administrador, do presidente, quando os resultados esperados não chegam, o primeiro a dançar tem que ser o técnico. O que acontece no Santos, São Paulo, Palmeiras? Vamos falar a verdade para a população. Tem que assumir e falar a verdade com o coração aberto. A situação do presidente falar uma coisa e o técnico desmentir não está certo. O torcedor deve ser tratado com um pouquinho mais de respeito.

Comércio - Você teme pelo futuro do basquete?
Vargas -
Eu acredito que o basquete francano chegou a um ponto que está por cima de qualquer uma das pessoas que estão sendo as protagonistas da situação no momento. O basquete francano se consolidou no Brasil, é respeitado e vai superar esta fase. Quando e como vai ser, é o que não sabemos. Não podemos esperar muito. O Brasil terá dois grandes eventos esportivos e as empresas estão de olho. A Vivo, com certeza absoluta, quer maior destaque do que está tendo, quer resultado. Se não conseguir resultado com o Franca, vai procurar em outro local. A diretoria precisa tomar providências urgentes para fazer com que o time volte a ser atrativo. Na época eu que eu jogava, os jogadores de fora aceitavam ganhar menos para vir para Franca. Hoje, é o contrário. Eles saem daqui para ganhar menos em outros lugares.

Comércio - Por que a situação se inverteu?
Vargas -
Alguma coisa errada tem. É preciso diagnosticar o problema e solucionar para não acontecer mais.

Comércio - Qual treinador tem o perfil ideal para dirigir o Franca?
Vargas -
Esta é uma pergunta muito difícil. Não basta trazer outra pessoa. É preciso formar um elenco competitivo.

Comércio - Você sonha um dia ser presidente ou técnico do time?
Vargas -
Não tenho este sonho, até porque, para ser técnico é preciso ser formado em educação física e eu não sou. O único sonho que eu tenho e que, graças a Deus e ao prefeito Sidnei Rocha (PSDB), estou realizando é o de dar minha contribuição, dar um retorno aos francanos por toda a alegria que esta cidade tem me proporcionado. Temos uns projetos esportivos muito bons que estão dando resultado.