O vereador Valter Gomes é um dos mais experientes da Câmara atual. Em seu quinto mandato, assume a presidência pela segunda vez. Seu objetivo agora é recuperar a imagem e a credibilidade da Câmara, um pouco arranhadas pelos acontecimentos transcorridos nesses últimos anos.
Se for bem sucedido, será bom para a Câmara, para os vereadores e para toda a cidade.
Uma de suas principais idéias é melhorar a comunicação do Legislativo, uma ideia bastante acertada, diga-se de passagem. Como dizia Chacrinha, ‘quem não se comunica se estrumbica’. Nesse mundo globalizado, em que o desenvolvimento tecnológico atenua cada vez mais a rigidez das fronteiras, aproximando culturas e intensificando o fluxo informacional, a comunicação torna-se um fator de fundamental importância para o desenvolvimento de pessoas, empresas e organizações.
No entanto, ela precisa ser bem planejada. É preciso saber o que se diz, porque, como, por onde e para quem se diz. No mundo privado, onde a comunicação organizacional já é uma área bastante sedimentada, esse planejamento envolve a compreensão de todos os públicos que interagem com a organização, o que permite a criação de estratégias específicas para que a comunicação com cada um deles seja a mais eficiente possível.
No poder público, essa abordagem não deveria ser diferente. Porém, pelas primeiras declarações do presidente da Câmara, é possível perceber que ele desconhece alguns conceitos básicos dessa área.
Ao dizer que vai mostrar o que a Câmara tem feito de bom por meio de entrevistas que seriam enviadas a toda a mídia francana, Valter Gomes invade a seara da imprensa e, até certo ponto, a desrespeita, já que a simples retransmissão de matérias ou entrevistas produzidas pelo poder público não é postura de um veículo sério e respeitado. Na rádio Difusora e no jornal Comércio da Franca, por exemplo, existem mais de 250 pessoas envolvidas na produção do noticiário cotidiano. E a decisão sobre o que vai ser publicado ou divulgado obedece a critérios de relevância jornalística, não aos interesses privados de cidadãos, empresas, governos ou instituições.
Além disso, a Câmara existe para legislar, não para produzir entrevistas que falem bem dela mesma. A despeito de ter uma assessoria de imprensa, um setor fundamental dentro desse processo comunicacional, esse trabalho deve ser deixado aos jornalistas ligados aos veículos de comunicação. Da mesma forma que os jornalistas não perdem seu tempo elaborando e enviando leis para serem lidas em plenário pelos vereadores, o presidente da Câmara também não deveria perder seu tempo com entrevistas.
Se ele analisar com mais atenção o noticiário negativo sobre a Câmara nesses últimos anos, vai perceber que sua origem não estava no trabalho dos jornalistas, mas nas ações, nas palavras e nas atitudes dos vereadores.