A coordenadora do serviço de transplante renal do Hospital de Transplantes do Estado de São Paulo, Carina Moreno, classificou ontem o gesto da comerciante de Franca que querer doar um rim para uma adolescente desconhecida, como nobre, mas ressaltou que o processo não é simples e requer autorização da Justiça.
“A legislação não permite doação de órgãos por pessoas que não sejam parentes até 2º grau ou sem ligação afetiva com a família do receptor. O caso precisa ser avaliado por um juiz”, disse a médica nefrologista.
Segundo ela, com a autorização judicial começa uma segunda etapa de convencimento de uma equipe médica que aceite a fazer o transplante e, na sequência, uma série de exames e estudos da doadora. “Como é um doador não relacionado, a maioria não faz o transplante mesmo com autorização da Justiça.”
Sobre os exames (de sangue, rim, coração, entre outros), a médica diz não ser difícil consegui-los, mas lembrou da necessidade da doadora ser saudável. “É preciso avaliar se o doador não terá prejuízo futuramente ao fazer a doação de um rim. Mesmo assim, após o transplante, ele continuará sendo acompanhado, porém estudos mostram não haver problema.”
A médica disse ainda desconhecer a existência de um cadastro de doadores e que casos como esse são esporádicos. “Não é comum”, ressaltou.