09 de julho de 2026

Sapateiro aponta revólver a policiais militares e é morto


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FATAL - Policiais militares cercam o lugar onde o corpo do sapateiro Leandro Martins Tristão, 31, ficou caído após ser baleado por um dos PMs.

O sapateiro Leandro Martins Tristão, 31, foi morto com um tiro no peito a poucos metros da casa onde morava, no Jardim Brasil. Segundo a polícia, o sapateiro apontou um revólver de brinquedo a dois militares, que responderam à ameaça com quatro tiros. A família de Leandro disse que ele era usuário de crack. O caso será investigado através de inquéritos das polícias Civil e Militar.

A ocorrência teve início por volta das 22h30 de ontem. Moradores do local ligaram para o 190 e denunciaram que o sapateiro estaria na rua ameaçando pessoas com uma arma de fogo. Uma viatura da radiopatrulha, com dois policiais, se dirigiu até o local. Segundo o tenente Jean, da PM, o suspeito apontou o revólver em direção à viatura. A resposta dos policiais foi imediata. “O policial que atendeu a ocorrência me confirmou que foram quatro tiros (...) Como a vida do policial também está em risco numa situação dessas, fica complicado aguardar se é uma arma de verdade ou não. Por isso, foram efetuados os disparos, o indivíduo ficou neutralizado e veio a óbito.” O tenente não revelou os nomes dos policiais envolvidos na ocorrência.

O corpo do sapateiro ficou caído na esquina de sua casa. A PM chamou mais três viaturas para reforçar a segurança do local. Populares aglomeravam-se para ver o ocorrido. A reportagem tentou contato com pelo menos dez vizinhos, mas nenhum deles quis se pronunciar.

O gari aposentado Paulo Domingos da Silva, 61, padrasto do sapateiro, contou que estava em casa com sua mulher - a mãe de Leandro - no momento dos tiros. Silva disse que apenas ouviu os disparos, enquanto assistia à televisão. Segundo o aposentado, a vítima já foi internada duas vezes em clínicas de reabilitação por causa do vício em drogas. “Ele era viciado, aí depois tinha parado. Ele ia para o quartinho dele, quietinho, numa boa, sentava na cama e lia a bíblia, ficava junto com nós (sic) assistindo a programa evangélico.” O padrasto também contou que o sapateiro não exercia a profissão. “Ele abandonou o serviço há muitos anos. Ele não ganhava dinheiro.”

A manicure Eliana Cristina Tristão da Silva, 35, que mora há um quarteirão da casa do sapateiro, foi até a cena do crime e também disse não ter visto nada. “Eu perguntei para a mulher que mora aqui do lado e ela disse que só ouviu os tiros, mas ela não falou nada, não.” De acordo com a manicure, a vítima também bebia. “Ele bebia bastante pinga mas nunca vi ele com revólver, agredir ninguém (...) Ele tem problema de cabeça, isso ele tem, mas era uma pessoa tranquila.”

Segundo o tenente Jean, os policiais envolvidos serão investigados pela Polícia Civil e Militar. Eles poderão responder por homicídio, mas tudo depende das investigações e dos depoimentos das testemunhas. “Quando há um crime doloso contra a vida, é feita uma apuração normal de um crime pela Polícia Civil, e pela Polícia Militar é também feito um inquérito. Ao final dessa apuração, os dois processos vão juntos para as mãos do Ministério Público para que a Justiça possa tomar sua posição diante dos fatos. É uma apuração feita internamente, que vai trazer também elementos para a Justiça.”

O corpo foi removido do local pela funerária Nova Franca. Até o fechamento desta edição, o velório e o local de sepultamento não haviam sido definidos.

ATENÇÃO: Veja fotos fortes no Blog do Vaz.