A rejeição, pelos vereadores, da compra do prédio do antigo Calçados Charm, foi a vitória do bom senso. Espera-se, com esse resultado, que o ímpeto do Prefeito em comprar prédios abandonados, necessitados de investimentos altos para sua revitalização e pagando altos valores para os proprietários, seja interrompido.
O grave e histórico problema brasileiro de falta de creches públicas, causando um altíssimo déficit de vagas, dificulta a vida das trabalhadoras francanas. Diariamente essas mulheres são obrigadas a deixar seus filhos sob o cuidado de parentes, vizinhas ou babás tendo, com isso, de gastar parte considerável de seus salários. Elaborar uma política municipal de creches é garantir um dever do Estado e um direito das trabalhadoras. É atender a Constituição de 1988 que entende serem as creches parte da educação infantil e, portanto, parte da educação básica.
O erro do atual governo é não discutir com a comunidade quais são as suas reais necessidades. Tenho certeza, pelo que ouvi nas ruas, que todos os francanos aprovam o gasto de R$ 6,7 milhões com creches, mas, não na compra de um prédio velho e distante dos bairros onde, realmente, as creches são necessárias.
Se o Sr. Prefeito fizesse algumas consultas populares veria que as mães trabalhadoras precisam de creches próximas às suas casas. Creche não é depósito de crianças. Ao comprar um prédio deteriorado e inadequado (o que exigiria mais gastos públicos) e distante dos bairros mais populosos, o prefeito equivoca-se quanto à finalidade das creches. Conforme a LDB (Lei de Diretrizes e Base da Educação), o trabalho desenvolvido nas creches deve corresponder à assistência e à educação, oferecendo um atendimento comprometido com o desenvolvimento da criança em seus aspectos físicos, emocionais, cognitivos e sociais. Portanto, creche é coisa séria.
As creches têm um papel fundamental na inclusão social das crianças. Refiro-me no sentido do seu desenvolvimento e aprendizagem numa instituição educacional. Para essa inclusão, é necessária uma perfeita harmonia e integração entre coordenadores, educadores, pais e as próprias crianças e, para isso, é importante que elas (creches) estejam perto da realidade social das crianças, possibilitando aos envolvidos uma completa interação dessa realidade.
Tenho certeza que com os 6,7 milhões, somados ao valor de reforma e adequação do prédio, será possível construir boas creches, funcionando em período integral, em diversos bairros populares e facilitando a vida dos pais.
Assim, basta o Sr. Prefeito ouvir o povo. Certamente, terminará seu mandato acertando nas suas últimas medidas e, ainda sobre educação, vale a observação que ele deveria fazer aos seus secretários, em especial ao de Finanças, que anda falando pelos cotovelos e, portanto, falando besteira.
Recentemente, tive a infeliz oportunidade de ouvi-lo na emissora de rádio do Prefeito dizendo que no governo anterior (portanto, do Prefeito Gilmar e meu) a merenda escolar era igual a ‘sopa de repolho’. O Sr. Ananias foi infeliz em querer abordar tema que desconhece.
Fomos responsáveis pela melhora considerável da merenda escolar, mudando toda a sua sistemática de produção e de distribuição e sendo constantemente elogiada por pais e professores.
Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário