08 de julho de 2026

Lendo, relendo, entretecendo...


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Eu te peço perdão por te amar, ó mar,
Embora o meu amor seja uma
velha canção nos teus ouvidos.
Eu te peço perdão por te querer, assim,
Azul verde ouro prata luz e sal sal sal...
Sabor de sol
A me beijar a pele, os lábios, os cabelos...
Com a força e a graça de tuas águas,
Que sobre mim se debruçam
- Em fúria, ou em sossego, unção,
transbordamento de carícias -
E que de mim se ausentam, e-ternamente.

Eu que a ti confio o navio de meus sonhos,
Sem intenção de naufrágio,
Aqui estou, mulher ao sol,
Cantando águas e brisas e bolhas de mel e sal
Reinventando vida nas tuas idas.
Temendo fugas nas tuas voltas.
Só te peço, ó mar, que a mim retornes sempre,
Que me busques novamente, ao me sentires ausente.
E me bebas o néctar da graça e do lamento do amor
A doçura do afeto e da melancolia...
A Ternura.
Sem lágrimas, sem promessas, sem mistérios.
E que te repouses quieto, muito quieto, a refletir,
Sem fatalidade, o olhar extático da aurora,
Quando, pacificada, eu tiver de partir.