09 de julho de 2026

Presidente demite diretor administrativo da Câmara


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30 ANOS DE SERVIÇO - Afonso Teodoro foi notificado ontem sobre sua demissão. Ele deve recorrer da decisão

O diretor administrativo da Câmara Municipal de Franca, Afonso Teodoro de Souza Filho não faz mais parte do quadro de funcionários do Legislativo Municipal. Sua demissão foi assinada ontem pelo presidente da Câmara, o vereador Marco Garcia (PPS).

Afonso foi acusado de reter documentos e não fazer a avaliação do funcionário José Carlos Granzotti, o que teria impedido a promoção do mesmo. O processo de sindicância para apurar responsabilidades foi aberto em novembro. A conclusão veio esta semana. “Recebi o relatório da Comissão de Sindicância indicando que o diretor deveria ser punido. Como na ficha dele já havia outras advertências e até uma suspensão, decidi dar um basta e demiti-lo. Percebi que o Afonso não iria mudar”, disse Marco Garcia, ao tomar uma de suas últimas decisões como presidente da Câmara. Ele deixa o cargo no fim deste mês.

A notificação da demissão foi feita na tarde de ontem. “Ele se recusou a assinar o documento que foi entregue pela advogada da Câmara. Requisitou a presença de testemunhas e tudo o mais. Mas não tem jeito. Minha decisão está tomada.”

Afonso Teodoro é um dos funcionários mais antigos da Câmara Municipal. Tem 30 anos de casa e é bastante próximo de alguns vereadores, principalmente de Graciela Ambrósio David (PP). Em março deste ano, Afonso já havia sido suspenso por 60 dias acusado de desgastar publicamente a imagem do Legislativo Municipal. Ele também é acusado de dificultar a aprovação da reforma do regimento interno da Câmara.

Procurado ontem no início da noite para comentar sua demissão, Afonso Teodoro preferiu não falar e indicou seu advogado, o ex-juiz Antônio Thales Gouvêa Russo.

O advogado soube do ocorrido por telefone, através de seu cliente, e disse que deve recorrer da decisão do presidente da Câmara. Ele considerou a punição “exagerada” e disse que é um dos atos “mais graves” que ele pode mencionar na história da Câmara. “É um ato gravíssimo. Ele (Afonso) é um funcionário estável com mais de 25 anos de serviço. Não estamos mais em regime ditatorial. Isso acontecer em um regime democrático é absurdo. É um verdadeiro abuso e uma violação contra os direitos.”

Russo afirma que houve “uma série de equívocos” em relação às apurações das acusações contra Afonso. “A avaliação foi feita, mas o funcionário (José Carlos Granzotti) estava sendo processado. Então, surgiu a dúvida se o funcionário teria ou não essa promoção.”

O advogado disse que vai aguardar a intimação para recorrer às medidas judiciais e administrativas cabíveis.

Colaborou Irinéa Donizete