A eleição no Sindicato dos Servidores Públicos de Franca transformou-se em acirrada troca de farpas entre o candidato da situação, o atual presidente José Nhozinho Sales Ramos, o Paraná, e o oposicionista, Luiz Fernando Nascimento. No meio dos ataques, a Justiça foi acionada. Na noite de ontem, segundo Nascimento, foi concedida uma liminar à sua chapa para que um segurança faça guarda das urnas durante a noite.
As polêmicas começaram antes do pleito, com a penhora da sede da entidade pela Justiça, a pedido da operadora de cartões Valecon, que deixou de receber R$ 276 mil em repasses descontados dos servidores. A atual diretoria também tentou impugnar a chapa opositora. “Foi uma arbitrariedade, apresentei toda a documentação nas datas corretas e ele (Paraná) tentou impugnar dizendo que alguns de nossos diretores tinham dívidas com o sindicato referente ao cartão Valecon, mas no estatuto não há nada referente a isso”, disse Nascimento. “O estatuto dava o direito que eu mesmo fizesse o processo eleitoral, abri o processo, a chapa dele foi impugnada porque integrantes estavam com o saldo devedor aqui na entidade, mas uma liminar deu o direito deles participarem e determinou que fosse nomeada outra pessoa para presidente da comissão eleitoral”, rebateu Paraná.
O advogado José Antônio de Castro foi então nomeado o presidente da comissão, o que não agradou os oposicionistas. “O Dr. José Antônio de Castro está sendo parcial, não respeita o estatuto e não autorizou que fizéssemos a guarda noturna da urna, conforme nos garante o estatuto. Entramos com uma liminar para garantir isso. Não deixou a gente participar da comissão eleitoral, todo o processo está sendo feito só por ele. Ele e o advogado do sindicato, Luiz Mauro de Souza, trabalham no mesmo escritório e não estão dando paridade no processo eleitoral”, disse Nascimento.
Castro disse que “o clamor das eleições leva o candidato a dar essa declaração”. “A eleição está sendo imparcial. Os escrutinadores que foram nomeados são quem participa da apuração, mais um representante e fiscal de cada chapa. Depois lacram-se as urnas, a sede do sindicato, todo mundo assina, não tem como ter falcatrua.” Luiz Mauro de Souza não quis comentar as acusações.
Mesmo com a garantia de “imparcialidade”, o grupo opositor foi à Justiça e, segundo Nascimento, eles não são poderão fazer a guarda das urnas como conseguiram que a apuração seja feita em um ambiente neutro, na Câmara.
Outro tema candente é a inscrição “Vote Chapa 1” na calçada da sede. “O estatuto não menciona, mas a propaganda é regida pela lei eleitoral e é irregular”, disse Nascimento. “Não tem qualquer proibição no estatuto. A calçada é pública”, afirmou Paraná.
O Comércio pediu cópias do estatuto na sede do sindicato e para ambos os candidatos. Paraná e o sindicato alegaram não ter cópias, já Nascimento não enviou a cópia prometida.
Votação
O resultado, após três dias de peleja, deve ser conhecido hoje. A votação acaba às 17 horas e a apuração deve levar uma hora e meia. Estão aptos a votar 1.296 sindicalizados. Para votar na sede do sindicato ou nas urnas itinerantes.