Aparelhagens médicas, como máquinas de oxigênio, aspiradores de secreções e até UTIs móveis são vitais para alguns pacientes. Quando os doentes levam os aparelhos para casa, a energia gasta faz com que as contas subam demais, inviabilizando o orçamento familiar. Em algumas residências de Franca, a conta de luz chega a dobrar por causa do uso desses aparelhos médicos.
Porém, uma nova lei nacional sancionada no começo de novembro pode dar “fôlego” às famílias. A lei prevê descontos nas contas de energia de pessoas que utilizam tais máquinas. Em Franca, a Prefeitura já mantém um projeto que ajuda com um valor fixo de R$ 100 famílias carentes (renda familiar de até dois salários mínimos) que têm gastos adicionais com energia por uso de equipamentos de saúde. São beneficiadas mensalmente 100 pessoas. O cadastro deve ser feito na Secretaria da Ação Social.
O aposentado Onofre Pasterari, 74, do bairro Vila Nova, não faz parte dos ajudados pela Prefeitura, mas recebe mensalmente cobranças de energia acima de R$ 100. Ele sofre com um enfisema pulmonar há seis anos, após ter fumado 50 anos. Agora, depende de um oxigenador, que custou R$ 6 mil, para sobreviver sem sustos. “Se eu não usar, não tem condição. Não ando e nem nada. Tem que usar direto. Ataca o coração também.”
O aposentado usa o aparelho, em média, 12 horas por dia. Com isso, sua energia que custava R$ 80 mensais, pulou para R$ 180. Mais que dobrou. “Minha renda não dá três salários mínimos. Só de convênio e energia vai mais de R$ 600 por mês. Tem ainda remédios e minha mulher não recebe aposentadoria.”
Na Jardim Seminário, Maria Henriqueta Alves de Abreu, 62, paga contas de luz de R$ 120, em média. Seu marido, Wilson Petenon de Abreu, 58, teve um AVC (acidente vascular cerebral) há 14 anos e perdeu os movimentos e a fala. Ele usa frequentemente um aspirador de secreções dos pulmões e um inalador. “Ganhamos pouco mais de três salários mínimos. Nunca fui atrás (de ajuda), mas agora pretendo procurar”, disse Maria.
A reportagem tentou contato com a assessoria da CPFL Energia para saber detalhes sobre o cadastramento desses paciente, porém, a assessoria afirmou que, por se tratar de uma portaria muito recente, o setor jurídico da empresa ainda está fazendo levantamentos sobre o assunto.