08 de julho de 2026

O cristão é alegre


| Tempo de leitura: 4 min

O terceiro domingo do Advento é denominado “Domingo Gaudete”, que significa “Domingo da Alegria”

A alegria de que trata a liturgia de hoje liga-se à proximidade da festa da Natividade do Senhor. Já atravessamos mais da metade do caminho rumo à noite santa do Natal e somos iluminados como comunidade de fé. A Palavra de Deus proclamada nas celebrações eucarísticas nos aproxima do mistério do nascimento de Jesus e isso nos alegra.

PRIMEIRA LEITURA
A primeira leitura de domingo passado nos apresentava as palavras de um profeta que, falando aos israelitas exilados na Babilônia, prometia um retorno imediato à terra dos seus pais. Transcorrem alguns anos e as instituições do profeta se revelam exatas. O grande rei, Ciro, conquista Babilônia e concede a todos os estrangeiros que residem lá, autorização para voltar à própria pátria.
Eis, porém, uma desagradável surpresa: os que lá residem os recebem com apatia e até mesmo com uma certa hostilidade.
Sustentados pelo entusiasmo inicial, entretanto, conseguem superar as primeiras dificuldades. Os desencantos, porém, continuam em ritmo inquietante e sempre mais amargos. Por acaso Deus os enganou? Nesta difícil situação surge outro profeta. A leitura de hoje relata como esse profeta se apresenta e anuncia sua missão. ‘Vim – diz ele – para transmitir coragem, esperança a quem está desiludido, em quem tem o coração abatido; o Senhor me ungiu para dar uma Boa Notícia para todos os que sofrem; anuncio a liberdade para os escravos e proclamo um ano de graça do Senhor’.
Algumas pequenas mudanças acontecem, porém as injustiças, a corrupção dos chefes e a prepotência dos ricos continuam. A essa altura, os pobres do povo teriam muito boas razões para desanimar, mas não. Têm certeza que as promessas do Senhor se realizarão, ainda que não imediatamente. Começam a perceber que Israel deve esperar a vinda do Messias.
A experiência dos israelitas que, encorajados pelo profeta, voltam a Babilônia, contém muitas lições. Uma vida desordenada, tecida de aventuras, loucuras, evasões, insensatez, pode proporcionar muitos prazeres, mas não transmite serenidade profunda, felicidade, paz.
Inevitavelmente, como aconteceu com o filho pródigo, todos voltam a si e se dão conta do fracasso da própria vida, tomados pelo desencanto. Confia-se então a própria angústia a um amigo, a um sacerdote, a uma pessoa sábia e estes, comportam-se como o profeta: dirigem-nos palavras serenas e tranquilizadoras. A reconstrução de uma vida arruinada por muitos erros é difícil: o pecado deixa no ser humano marcas profundas e graves. Por que, então os profetas prometem coisas maravilhosas?
Porque é verdade que aquele que tem a coragem de abandonar a escravidão do pecado e de voltar à casa do Pai, com certeza encontra a paz interior.

SEGUNDA LEITURA
O trecho constitui a última parte da Carta aos cristãos de Tessalônica. Contém exortações preciosas sobre a vida comunitária. A primeira: “Vivei sempre contentes”. A alegria é um dos sinais característicos da presença do Espírito de Deus no coração de um homem.
O que significa ser alegre? Todos aspiram à felicidade. A maioria dos homens confunde com o prazer: o prazer da bebida, das drogas, do adultério, da vida imoral, mas é da oração e de uma vida moral irrepreensível que nasce a alegria: “rezai sem cessar, dai graças”.

EVANGELHO
O prólogo do Evangelho de João apresenta Jesus como a Palavra que existe desde sempre, pois ele é Deus. Um homem, enviado por Deus, vem para testemunhar essa verdade. Seu nome é João, que significa “Deus é favorável”. A pregação que sai da boca de quem vive o que fala penetra fundo no coração dos ouvintes. O testemunho de João Batista era tão forte, que muitos achavam que ele fosse a verdadeira luz. Isso provocou ciúme nas autoridades religiosas e também preocupação, por causa do seu poder de atrair multidões. Por isso, os judeus de Jerusalém enviam uma comissão de sacerdotes e levitas para investigar quem era João Batista. Ele esclarece: “Eu não sou o Cristo”.
A postura firme e coerente de João Batista, que culminou com o seu martírio, tornou-se para as primeiras comunidades cristãs um sinal de luz muito forte. Ao redor dele formou-se um movimento de seguidores. Foi necessário dirimir as dúvidas a respeito da sua identidade e da sua missão. João Batista “não era a luz, mas veio para dar testemunho de luz’.

UMA LIÇÃO
‘A alegria cristã nasce da fé em Jesus’. Jamais se apaga, não importam as circunstâncias. Está intimamente ligada à oração constante. É pela oração e pelo amor fraterno que permanecemos na paz de Deus e irradiamos a sua luz.

José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br