Cinquenta e cinco anos após fazer sua estreia na política, Ary Pedro Balieiro (PTB), 80, decidiu pendurar o paletó. O vice-prefeito pôs fim ao suspense e anunciou que não vai disputar a sucessão municipal do ano que vem. “Agora, é definitivo. Não serei candidato. N-a-o til.” A decisão também vale para outras eleições e significa sua aposentadoria da vida pública. “Saí da disputa. Não vou me candidatar a mais nada.” Ary disse que o seu tempo já passou e que está na hora de dar lugar para os mais jovens.
Ary Balieiro é o político mais longevo de Franca. Ele disputou sua primeira eleição em 1956, quando tentou sem sucesso uma vaga na Câmara. Em 1976, foi eleito vereador e deu início a uma trajetória de vitórias. Assumiu a administração municipal em abril de 1987, quando Sidnei Rocha (PSDB) renunciou à Prefeitura para assumir a presidência da Vasp. Foi eleito prefeito em 1992. Atualmente, cumpre o terceiro mandato como vice.
No dia 10 de julho, Ary completou 80 anos. Entrevistado pelo Comércio, ele disse que ainda tinha a esperança de voltar a ser prefeito e deixou em aberto a possibilidade de se candidatar. “Quando me perguntam se sou candidato a prefeito, a resposta é sempre a mesma: Neste momento, não desminto”, disse à época.
Há 20 dias, o vice-prefeito decidiu que chegou a hora de parar. Não vai mais enfrentar uma campanha eleitoral. “Tenho consciência do que posso e do que não posso. Chegou o momento, não tem sentido eu ficar ocupando espaço. Minha luta passou.”
Ary disse que a estrutura da administração cresceu muito e que ele não está disposto a enfrentar o nível de comprometimento que o cargo exige. “O envolvimento nas ações públicas me obrigaria a me afastar da família, dos amigos e do meu lazer que faz bem. Não tenho mais estrutura para aguentar isto. Na realidade, estou fora da administração.”
Ao admitir pela primeira vez que não disputará a sucessão municipal, o vice-prefeito não anunciou quem deverá apoiar nas eleições do ano que vem. O perfil desejado é de um candidato que dê sequência à linha de gestão adotada pelo atual governo.
Apontado por muitos no cenário político como um dos responsáveis pelas vitórias de Sidnei Rocha, Ary mantém relacionamento distante com o prefeito e não participa diretamente da administração. Disse que não vai ao gabinete “há quatro ou cinco meses”.