08 de julho de 2026

Governo também perde comando de principais comissões da Casa


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RIVAIS - Válter Gomes (à esq.), o futuro presidente da Câmara, e Marco Garcia, o atual, se cumprimentam após a disputa interna

Embora não tenha disputado a eleição, o prefeito Sidnei Rocha (PSDB) saiu derrotado nas eleições internas da Câmara. Quando um concorrente vence uma disputa de ponta a ponta costuma-se dizer que ele “fez barba, cabelo e bigode”. Foi o que aconteceu ontem. Além de assumir o comando da Mesa Diretora, a oposição também vai controlar as principais comissões permanentes, que podem com seus pareceres travar a tramitação dos projetos de interesse do Executivo. Ter ações engessadas em ano de eleições era tudo que o governo não queria. A oposição comemora e credita o resultado à ineficiência de articulação do grupo de apoio ao prefeito.

A Câmara tem 11 comissões permanentes que são formadas por três membros cada. Vereadores da oposição são a maioria nas principais. A comissão mais importante é a de Legislação, Justiça e Redação. Seus integrantes são responsáveis por avaliar a constitucionalidade dos projetos. Um parecer contrário significa atrasar o trâmite. Joaquim Pereira Ribeiro (PSB) será o presidente, Silas Cuba (PT), o vice, ambos da oposição, e o governista Oscar Mercuri (PP), o 3º membro.

A segunda comissão em nível de importância é a de Finanças e Orçamento. Laércinho (PP) será o presidente. Embora vote com o governo, ele integra um partido presidido por Graciela Ambrósio (PP), principal opositora de Sidnei Rocha. Paulo Zamikhowsky (PSB) e Paulo Afonso (PT), da oposição, completam a formação. Se não bastasse, Vanderlei Tristão (PTB) vai presidir a Comissão de Obras, Serviços Públicos e Atividades Privadas, enquanto Paulo Afonso comandará a Comissão de Saúde e Assistência Social, duas áreas tidas como essenciais pela administração.

Na opinião do ex-vereador Gilson Pelizaro, o controle de uma comissão permanente representa ganho político. “Um parecer contrário da Comissão de Justiça e Redação pode fazer com que o projeto não vá ao plenário. O mais importante para a Câmara é que o controle da situação em cima das comissões não existe mais. Isto é bom no aspecto democrático. A oposição vai palpitar nos projetos encaminhados pelo Executivo.”

Pelizaro avalia que o governo terá de flexibilizar a relação com a Câmara. “O prefeito terá que ter mais habilidade para lidar com a Câmara.”

O governista Marco Garcia (PPS) concorda que o resultado das eleições significou duro golpe para a administração. “Foi uma derrota para o prefeito. Mas, quem corre o risco de também perder é a cidade.”