O segundo domingo do Advento nos ajuda a refletir sobre uma atitude especial que devemos ter: a conversão do coração
Não é fácil se converter e muitos motivos nos influenciam ou impedem, por exemplo: vergonha, desconfiança do perdão de Deus, preguiça, insegurança, etc. O importante é saber que Deus quer nossa mudança, nossa aproximação ou reaproximação do seu coração de Pai. Da mesma forma que João Batista ajudou o povo a esperar e crer no Messias, a Igreja, pela Palavra de Deus, nos encoraja a encontrar e desfrutar do amor de Deus.
PRIMEIRA LEITURA: ISAÍAS 40
O profeta Isaías fala de esperança para o povo de Israel que está oprimido na Babilônia. Esse reino não se encontra tão forte assim, as coisas estão mudando. Com entusiasmo poético, o profeta anuncia novo êxodo: o povo de Israel será libertado e reintroduzido à terra que Deus concedera aos antepassados. Assim como o clamor do povo escravizado no Egito chegou aos ouvidos do Senhor, também o sofrimento do povo exilado é conhecido por Deus. O profeta avalia-o como um sofrimento expiatório. Deus acolhe e apaga toda a culpa. Na sua bondade, perdoa-lhes todos os pecados e os livra de todo mal.
As palavras do profeta também nos convidam para preparar a estrada através da qual poderemos encaminhar-nos rumo à liberdade. Somos escravos das nossas paixões, dos nosso egoísmos, das nossas invejas, dos nossos rancores. O Senhor vem para libertar-nos, mas nós devemos preparar os caminhos. No mundo há povos que lutam um contra o outro; no mesmo povoado há pessoas que se odeiam: na mesma família o marido que nem sequer conversa com sua esposa. Entre essas pessoas que vivem numa constante discórdia, há montanhas que devem ser abaixadas, há vales que devem ser aterrados, há estradas que devem ser abertas: entre pais e filhos, entre marido e mulher, entre parentes, entre vizinhos de casa. Os que se recusam a restabelecer as relações nunca serão libertados. Continuarão escravos dos próprios sentimentos mesquinhos.
2ª LEITURA: II CARTA DE PEDRO 3
A lição da segunda leitura atingiu os cristãos descrentes da segunda vinda de Cristo e nos atinge, iluminando nossa vida, principalmente naqueles momentos que achamos que tudo não passa de ilusão e mentiras. Muitas pessoas chegam a duvidar de Deus. Este trecho quer iluminar nossa vida. O tempo de Deus é diferente do nosso tempo, e o tempo, passa. É preciso saber viver. Para Deus, “mil anos são como um dia...”. Dizemos que o tempo passa sem a gente perceber. O tempo do relógio, nós o perdemos mesmo contra a nossa vontade. Porém, dentro do tempo cronológico podemos viver o tempo cairológico, o tempo de Deus, que “não quer que ninguém se perca, mas que todos venham a converter-se”. Depende de nossas escolhas: ou “perdemos tempo” com superficialidade que nos satisfazem apenas momentaneamente ( e não faltam “pregadores” para nos convencer disso), ou “ganhamos tempo” com o cultivo de valores eternos que nos realizam plenamente... O tempo cronológico do Advento é propício para a tomada de decisões que transformem a nossa vida inteira em tempo cairológico, de graça e de salvação.
O autor da carta se dirige aos cristãos das suas comunidades e os conclama não só a não desanimar diante das zombarias dos inimigos, mas também a reconsiderar a própria maneira de interpretar a fé. É inútil tentar cálculos para prever o momento da vinda do Senhor, porque ele chegará de repente, como um ladrão.
As exortações contidas nesta leitura valem também para nós. Quando constatamos que, depois de 2.000 anos da vinda de Cristo, o mundo mudou tão pouco e que os homens continuam odiando-se, promovendo guerras e oprimindo os mais fracos... somos tentados a perder a esperança e a pensar que a esperança de ver um mundo de justiça e de paz seja uma quimera.
EVANGELHO: SÃO MARCOS 1.
A missão de João é de grande importância na preparação do coração do seu povo para acolher, crendo, que Jesus era o Filho de Deus. A missão da Igreja é de grande importância na preparação e conscientização do nosso coração para acolher, crendo, que Jesus é o Filho de Deus.
A pessoa de João Batista é especial e isso ele demonstra no modo como se apresenta e no naquilo que é seu alimento. Vejamos: em toda a região da Judéia o povo alimentava grandes esperanças no Messias que devia chegar. Ele dizia-se transformará a situação social: tirará os ricos dos seus tronos, destruirá os malvados, e tornará felizes os pobres: acabará com o mundo antigo e dará início a um mundo e a uma humanidade completamente nova. O Batista, então, começa sua pregação ao longo do rio Jordão, conclama todos para a conversão, fala de um batismo para a conversão dos pecados, exige que se constitua uma comunidade de pessoas dispostas a mudar de vida. Enquanto não renunciarmos aos nossos pecados, como exigia o Batista, não poderemos esperar pela vinda do Salvador e pelo surgimento de uma sociedade e de um mundo novo.
João não se alimentava com os produtos dos campos cultivados. “Alimentava-se de gafanhotos e de mel silvestre”. Este detalhe também é significativo: a escolha de alimentar-se daquilo que cresce no deserto indica a recusa àquilo que a sociedade corrupta oferece e que o Batista condena. Ela é corrompida e está prestes a desmoronar. O conteúdo da pregação de João é o anúncio da vinda de alguém que batizará com o Espírito. Com essa expressão ele quer dizer que o Messias fará desaparecer do coração de todos os homens o espírito mau, o impulso deturpado que impele a cometer malvadezas e comunicará a todos um Espírito novo, um Espírito bom que vem de Deus.
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br