Vencer o analfabetismo é um exercício de coragem e perseverança. Muitos dos alunos que entram no ensino supletivo acabam desistindo. Célia Maria Machado Tavares, coordenadora do EJA, disse que é preciso paciência e que o processo de alfabetização de um adulto é mais difícil e demorado do que o de uma criança.
“O tempo que levará para que a pessoa aprenda vai depender do histórico de cada um. Mas com certeza um adulto demora mais para assimilar o conhecimento. Por isso, é importante a persistência”, afirma Célia Tavares.
Santa Pereira, de 49 anos, parou de estudar aos oito anos, ainda na terceira série primária. “Sou do interior de Minas Gerais. Foi uma luta conseguir chegar até a terceira série porque tinha que ajudar em casa. Depois acabei parando de estudar. Com o tempo, não sabia mais ler e escrever”, disse.
Ela se casou. Teve três filhos e ensaiou a volta aos estudos muitas vezes. “Mas meu marido era muito machista e ciumento. Para ele, mulher não podia estudar. Ele me proibiu de ir à escola. Acabei deixando este sonho pra lá.”
No ano passado, ela se mudou com os filhos para Franca e decidiu entrar no supletivo. “É uma luta. Achei até que seria mais fácil, que aprenderia tudo rapidamente, mas não é assim. Tive que aceitar as minhas dificuldades mas não penso em desistir.”