Na esteira da ascensão dos gastos dos brasileiros com o setor de beleza, uma profissão vem conquistando espaço e renda cada vez maior em Franca: as manicures. Algumas profissionais “top” chegam a ganhar R$ 3.500 por mês e raramente têm horário para novas clientes. Elas chegam a atender 20 clientes por dia, cobram em média R$ 25 (pé e mão) e se orgulham de colaborar com a autoestima de mulheres e homens também.
Segundo a Prefeitura, somente no ano passado, Franca ganhou 67 novos salões, 60% a mais que em 2009.
O perfil das profissionais é variado. Jovens em busca do primeiro emprego, donas de casa que sonham ter renda própria ou mães que precisam trabalhar em casa para cuidar dos filhos. Assim costumam “nascer” as manicures. Maria Aparecida Pereira, 34, por exemplo, começou a fazer unhas a pedido de uma amiga que gostou do trabalho que ela havia feito nas próprias unhas. Rosângela de Oliveira Ventreschi, 44, começou a trabalhar como vendedora, mas depois que teve filhos decidiu ser manicure para poder ficar em casa. “Precisava cuidar dos meus filhos. Comecei fazendo as unhas da minha mãe e irmãs e os testes foram dando certo. Faz 20 anos que estou nessa profissão e gosto muito”, disse ela, que é mãe de Danielly, 23, e Raphael, 20.
Rosângela começou os atendimentos em casa, mas depois aceitou o convite para trabalhar no salão V.Officer. Trabalha de terça a sábado e atende cerca de 20 clientes por dia, deixando uma porcentagem de cada atendimento para o salão. Ganha bem, mas prefere não divulgar o salário.
Érika Soares Silva, 34, é manicure desde 1997. Ela fez cursos de estética para aprender a cuidar das unhas e trabalha na Zelma Coiffeur. Ganha até R$ 3,5 mil por mês, tem casa própria e carro do ano (leia texto na próxima página).
No salão Zelma, que tem 53 anos de história, a atendente Cláudia Souza controla a agenda das 12 manicures e disse que é difícil conseguir um horário vago. “O dia mais tranquilo é na segunda-feira. Para conseguir uma vaga com uma das 12 manicures no fim de semana, tem que agendar no máximo até terça.” A equipe atende mais de 200 clientes no fim da semana.
A economista Rosalinda Chedian Pimentel disse que tanto o homem quanto a mulher, em função do aumento da renda no País, têm gastado mais com a parte de higiene pessoal e beleza. Rosalinda ressaltou que hoje um grande número de mulheres é chefe de família, tem nível de escolaridade acima do dos homens e salário maior. “Com renda maior, há possibilidade de se comprar imóveis, automóveis, alimentos e também reservar recursos para cuidar da beleza. E boa parte das mulheres não depende mais da mesada do marido para pagar manicure”, disse Rosalinda, que faz as unhas toda semana. “É um presente que me dou. Você se sente melhor e passa uma imagem mais cuidada para os outros.”
A advogada Elizabete de Oliveira, 40, também tem horário fixo semanal para fazer as unhas e é atendida por duas manicures para ganhar tempo. “Antigamente você fazia a unha quando ia a uma festa ou casamento, mas essa atividade, de repente, se popularizou de uma tal forma que, se você não fizer a unha, parece que está faltando alguma coisa.”