08 de julho de 2026

Dona Conceição


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A notícia do falecimento da senhora Conceição Lana da Costa, a Dona Conceição da Cultura Inglesa, nos trouxe a consternação natural de quem perde uma pessoa amiga. Ao mesmo tempo, chama à reflexão pelos exemplos e folha de serviços legados à cidade. Ela cumpriu, com dignidade, os objetivos de uma mulher idealista esposa, mãe e professora. Foi casada com o Sr. Jerônimo Lima da Costa, que atuou nos ramos do agronegócio e imobiliário. Do casamento nasceram os filhos Henrique César, Célia Maria, Luís Augusto, Maria Cristina e Olga Maria.

No mundo dos negócios conheci o Sr. Jerônimo, com quem tive a oportunidade de negociar. Anos antes, encontrei a professora Conceição no velho “Ateneu”. Nas salas de aula ela se impunha pela disciplina e profissionalismo. Desde então, já seriam sua história e seus feitos, motivos de sobra para merecer nossa admiração, não fosse, ainda, sua maior conquista em favor da educação: a fundação da Cultura Inglesa em nossa cidade. O ensino da língua oficial internacional em Franca tornou-se marco histórico a partir da unidade de ensino criada pela professora, mas não foi só na área do ensino sua contribuição, mas também, à economia, pois surgiu quase ao mesmo tempo do advento das exportações de calçados em Franca.

Na mesma época, outras escolas foram criadas, formando enorme conglomerado e tornando o município centro referencial de aprendizagem da língua inglesa. Antes, na cidade, era comum contratar professores de outras praças para ensinar inglês. Nas empresas, havia carência de profissionais, principalmente com bom conhecimento da língua. Já hoje, contamos com número abundante de bons professores e muitos ex-alunos ao redor do mundo fazendo bonito com o inglês que aprenderam em Franca.

Há, em adesivos de carros, uma frase tão espirituosa quanto verdadeira: ‘If you can read this thank an English teacher.’ (se você pode ler isto agradeça a um professor de inglês). E como devemos agradecer!

Certa vez, estávamos em São Petersburgo e, empolgados por sua beleza e compras de lembranças, perdemos o ônibus que nos levaria ao navio. As pessoas que abordávamos não podiam nos ajudar. Lá são raros os que falam inglês. Fomos a um ponto de táxi e perguntamos ao motorista se ele falava inglês e ele, entusiasmado, arriscou:

-“A bit...”

Em geral, as pessoas respondem “a little bit”, quando querem dizer um pouco. No caso, entendi que ele falava menos que um pouco. Negociamos o preço da corrida e adentramos o carro. No trajeto, até perguntou-me sobre o Brasil e fez comparações com a Rússia. Quando chegamos ao cais, diante daquele imenso navio, pensei que deveria mesmo agradecer aos professores de inglês de Franca e da Rússia também.

Dona Conceição partiu, mas deixou sua marca na história de Franca. Deixou também a esperança de que muitos outros professores surgirão, a partir do seu exemplo.

Morre o corpo para que novos ideais sejam germinados. Que na escola que fundou, na semente que plantou, esteja a certeza de que a ciranda da vida não pode parar.

Jorge Félix Donadelli
É formado em Direito